LUTO - Circo perde mais um Queirolo
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segunda-feira, 06 de outubro de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Três meses depois da morte do palhaço Picolino, em Londrina, o mundo do circo está mais uma vez de luto no Paraná. Neste final de semana o palhaço Frisante, irmão único de Picolino, morreu em Curitiba. Assim como os nomes adotados no picadeiro, Julião Guião Queirolo (Frisante) e Ricardo Otelo Queirolo (Picolino) são conhecidos por uma geração inteira de paranaenses, que hoje têm idade acima de 45 anos. Os dois faziam parte da segunda geração da família circense Irmãos Queirolo.
Na primeira geração, o palhaço Chic Chic, ou melhor, Otelo Queirolo, foi o primeiro e mais famoso integrante da trupe. Ele e seu irmão, Ricardo Irineu Queirolo pai de Picolino e Frisante estenderam o gosto pelo picadeiro para toda a família. ''Todo mundo passou pelo circo. Minhas irmãs chegaram a fazer acrobacia. Eu trabalhei mais em teatro infantil'', conta Elisbeth Queirolo Carneiro, filha de Frisante.
Não menos famosos são os filhos de Otelo. Na década de 60, em Curitiba, era comum a criançada passar as tardes de sábado assistindo ''Capitão Furacão'', sob o comando de Sérgio Queirolo, ou o ''Cirquinho Canal 12'', levado por seu irmão Lafayete Queirolo, também conhecido como Chic Chic Junior. Os programas faziam sucesso não só pela televisão, mas também ao vivo, já que as crianças podiam participar do auditório.
Em 1970, quando um vento forte levou ao chão a lona do circo, em Curitiba, a era dos Queirolo começou a ruir. ''O circo parou, ou melhor, 'caiu' nesta época'', relembra Henricredo Coelho, o Gafanhoto, que apesar de não fazer parte da família sempre trabalhou junto com os Queirolo. Com 77 anos, mesma idade de Julião Guião, ele lembra os tempos em que os dois, mais Ricardo e os primos Lídia e Sérgio, faziam ''Os Cinco Diabos Brancos'', personagens que fizeram sucesso não apenas em Curitiba, no espaço Pavilhão Carlos Gomes, mas também no Rio de Janeiro.
Mesmo com o fim do circo, a família continuou trabalhando, desta vez encenando papais noéis para particulares, no Natal. ''Nós perdemos três Queirolo em menos de dois anos. Primeiro foi minha mãe, depois meu tio, e agora meu pai'', lamentava Julião Antonio durante o velório. Segundo ele, seu pai já estava doente há algum tempo, mas desde a morte da mulher não se interessou mais em procurar atendimento.
Julião Queirolo morreu ao meio-dia e meia de domingo, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Hospital Nossa Senhora do Rocio, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Internado há 13 dias, foi vitíma de uma infecção generalizada, decorrente de complicações de uma infecção urinária. Julião Queirolo tinha 77 anos de idade. Aposentou-se aos 70, depois de 25 anos trabalhando como supervisor no Teatro Guaíra, e só há oito anos tinha parado de trabalhar como papai noel. Foi enterrado ontem às 13 horas no Cemitério Boqueirão, bairro onde viveu.


