LUTO - Carnaval perde a alegria e o glamour de Clóvis Bornay
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segunda-feira, 10 de outubro de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Agosto, mês do agouro, parece agora conspirar durante o ano todo. Depois de Ronaldo Golias, Helena Meirelles e Emilinha Borba, foi a vez do carnavalesco Clóvis Bornay sair de cena. Ícone da folia carioca, ele morreu na noite de anteontem no Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, onde fora internado com desidratação e infecção intestinal.
No começo da noite, não resistiu a uma parada cardiorrespiratória. Famoso pela luxo e extravagância de suas fantasias, tornou-se figura indissoluvelmente associada ao dias de reinado de Momo. Tinha apenas 12 anos quando venceu seu primeiro concurso de fantasias trajando um vestido de cossaco.
Em 1937, ajudou a organizar o primeiro baile à fantasia do Teatro Municipal inspirando-se nos bailes de máscaras de Veneza. Bateu os concorrentes vestindo uma roupa de príncipe hindu. De lá para cá, dominou os salões participando de ou produzindo bailes no Copacabana Palace e em clubes como o Federal (Leblon) e Monte Líbano (Lagoa).
Quando o desfile das escolas de samba começou a desbancar o prestígio dos bailes, na década de 60, Bornay foi para a avenida emprestar sua alegria para Estácio de Sá, Portela e Mocidade Independente. De tanto ganhar prêmios, foi lhe concedido o status de ''hors-concours''. Passou de competidor a convidado especial e jurado com cadeira cativa.
A atividade de jurado o levou também à televisão participando de programas de auditório de Chacrinha e Silvio Santos. Além de carnavalesco, Bornay era museólogo de profissão, ofício que exerceu no Museu Histórico Nacional e em outras instituições. Teve ainda uma breve incursão pelo cinema, convocado pelo diretor Glauber Rocha que o escalou para o longa ''Terra em Transe'' (1967), considerado uma obra-prima do cinema brasileiro. Depois atuou em ''Independência ou Morte'', de 1972, um filme sobre o processo de independência do Brasil.
Filho de mãe espanhola e pai suíço, o ilustre folião tinha 89 anos. Partiu deixando o trono vazio nos bailes à fantasia.


