LUTO - Adeus ao homem das parábolas
Morreu na sexta-feira passada, aos 87 anos, o escritor José Saramago. A morte foi confirmada à imprensa portuguesa pelo seu editor, Zeferino Coelho. Estava doente há algum tempo, às vezes melhor outras vezes pior, disse.
A morte ocorreu por volta das 13h no horário local (8h de Brasília), quando o escritor estava em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, acompanhado da mulher e tradutora Pilar del Río. Saramago havia passado uma noite tranquila. Após ter feito o desjejum de costume e conversado com a mulher, começou a sentir-se mal e pouco depois morreu.
Ele deixa um legado de opiniões fortes e uma vasta obra literária. Primeiro escritor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura (1998), Saramago escreveu livros marcados pelos períodos longos e pela pontuação em muitos momentos quase inexistente. Os artifícios formais são vistos como verdadeira barreira para vários leitores, mas outros se encantam com a fluidez de seus textos, sempre entremeados por reflexões fortemente humanistas.
Nascido em 16 de novembro de 1922, numa aldeia do Ribatejo chamada Azinhaga, de família humilde, publicou seu primeiro trabalho, Terra do Pecado, em 1947. Seu trabalho seguinte, Os Poemas Possíveis, seria lançado 19 anos mais tarde. Entre as suas obras mais famosas, estão Memorial do Convento, O ano da morte de Ricardo Reis, Evangelho segundo Jesus Cristo e Ensaio sobre a cegueira. Seu último romance, Caim, foi lançado em 2009.
● Nascido em 1922, numa modesta família rural no sul de Portugal, não frequentou universidade e trabalhou como metalúrgico
● Uma das suas obras mais conhecidas, foi adaptada para o cinema pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles





