LULU DESPLUGADO
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quarta-feira, 13 de setembro de 2000
Agência Folha 
Um dos patronos do rock brasileiro dos anos 80, Lulu Santos, 47, poderia ter inaugurado o projeto Acústico MTV. No entanto, sua vez só está chegando agora, quando o formato conta com seis anos de existência aqui no Brasil e já estancou lá fora. O programa será exibido hoje pela MTV, às 23h30.
Ele justifica a demora: Não houve premeditação. Eu estava fazendo outras coisas, meus discos eletrônicos. Não caberia naquele momento.
O CD vem num padrão que foge do habitual: o Acústico de Lulu Santos será vendido como álbum duplo ou em dois volumes separados. Das 28 faixas, cinco são inéditas, e se repetem nos dois volumes da versão quebrada.
Lulu diz desacreditar que esteja aderindo a um clichê. Quem sabe o meu dê um fôlego ao formato. Tentamos soar bonito, com coisas pouco usuais, sem usar recursos de outros acústicos.
Havia clichês do formato a serem evitados? O negócio dos Titãs, com orquestra, funcionou tão bem que fica como referência do que não deve ser feito. E parâmetros a serem perseguidos? O acústico de que gosto é o da Bjöork. Tem uma orquestração muito peculiar, eu queria que o meu tivesse essa estrutura de dance, de tecno. Ficou vigoroso, não é anêmico, violãozinho. Se em 1998 Lulu Santos formou um grupo de rock (Jakaré) e chegou a planejar um disco ao vivo baseado em versões pesadas de suas músicas menos bem-sucedidas, agora ele repele aquele momento em prol dos hits relidos.
O show do Jakaré era infeliz. Acabei a temporada arrasado. Era neurótico, masturbatório, auto-referente. Prefiro mil vezes Janela Indiscreta (inédita do Acústico) a qualquer coisa do Jakaré. Ele continua: Tenho gravado, eu sei que era ruim. É fácil para mim falar, porque aquilo não existe. É como o Vímana. Refere-se ele ao grupo de rock progressivo que integrou nos 70, com Lobão e Ritchie, e que deixou só duas faixas gravadas.
Ele esbraveja: Pode ser antropologicamente interessante, mas são coisas que não existem. Não quero enfiar a cabeça pelo rabo, não quero viver do passado. Ora, mas então ele tem de explicar o projeto revisionista do Acústico, bem como a canção inédita Made in Brazil, cuja letra revisa o rock nacional.
É uma perspectiva histórica. Não é uma crítica à MPB. A ironia vai em outro sentido, de ser uma batida disco falando de rock, hip hop, reggae. Se é revisionista, por outro lado há Esta Canção, fresquíssima, escrita em cinco de maio.
E a MPB não anda se relendo em demasia com acústicos e discos ao vivo? Não é excesso. Vivemos num país que precisa de releitura. Precisaríamos fazer a psicanálise do Brasil pós-64, tiras do sistema para compreender. Responde, então, se o Acústico seria sua contribuição para tal psicanálise: Não sei se ofereço formalmente uma contribuição. Estou mais focado nas inéditas, nas cinco canções que para mim são das melhores que já fiz.


