LUIZ CALDAS VOLTA AO DISCO
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Parece que foi ontem, mas faz seis anos que Luiz Caldas, o cantor e compositor que reinou absoluto na onda axé, está fora das gravadoras. A BMG Brasil quebra o silêncio com o CD Luiz Caldas e Convidados 15 Anos de Axé. Nele o artista aparece rodeado de amigos, que só não vão de A a Z, porque a lista termina no grupo Timbalada.
O estouro se deu em 1985 com Fricote, em parceria com Paulinho Camafeu. A juventude, na época, entoou: Nega do cabelo duro/ que não gosta de pentear/ quando passa na baixa do tubo/ o negão começa a gritar... O disco abre com Fricote e Luiz Caldas conta com as companhias de Carlinhos Brown e Ninha, do Timbalada.
Nas 13 músicas restantes estão integrantes do Araketu, Asa de Águia, bandas Beijo, Di Maçã, Eva, Chiclete com Banana, É o Tchan, Raça Pura e mais Daniela Mercury, Margareth Menezes, Netinho, Ricardo Chaves. A lista poderia ser maior, não fosse a proibição das gravadoras em liberarem alguns nomes, mas isso faz parte do show. Este é um presente que estou me dando, disse Caldas à Folha2.
Ele prepara um grande espetáculo para levar ao Farol da Barra, em Salvador, quando oficializará o lançamento de 15 Anos de Axé. Foi ali, nesse pedaço de praia, que tudo começou. Depois deverá correr o País, promovendo o trabalho. A volta está sendo maravilhosa. Sinto como se eu tivesse tirado uma semana para sair de cena e estudar, comentou.
Estudar, no caso, tem a ver com seu contato com a música clássica. De 93 para cá o baiano deixou os requebros dolentes do axé para beber das inspirações dos grandes mestres. De certa forma troquei de público. Eu, que me apresentava para 50 mil, 100 mil pessoas, passei a tocar para platéias de 100, nas audições de piano.
Mudou muito, mas a marca registrada dos pés descalços, ele não abandonou. Circunspecto, subia ao palco de smoking, mas sem sapatos. Dessa experiência resultou uma melhora geral. Estou compondo melhor, tenho mais cuidado com as letras que escrevo, acredita o moço.
Bach e Mozart são os compositores eruditos que mais calam em sua alma. Porém, igualmente eruditos, e portanto fazendo-se presentes, estavam Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Waldir Azevedo e números do próprio Caldas. Também tenho minhas coisas eruditas, frisou.
Luiz Caldas toca ainda cavaquinho, violão, bandolim e percussão. Passou quase três meses debruçado em O Lago dos Cisnes, de Tchaikowsky, para adaptá-la ao violão. Conseguiu. Mas há um detalhe fundamental nessa história toda o instrumentista não sabe ler música. Isso, porém, não é problema.
Prova disso são os dois CDs que traz debaixo do braço, esperando que alguma gravadora se interesse por eles. O repertório é formado apenas por músicas clássicas, executadas ao piano, violão, cavaquinho, bandolim. O projeto deverá ficar à parte nestes agitados dias, que serão consumidos pelo 15 Anos de Axé. Satisfeito, Luiz Caldas, 36 anos, avisa:
Enrolei a rede, estou de volta na área.Depois de seis anos, o cantor reaparece com Luiz Caldas e Convidados 15 Anos de Axé
DivulgaçãoLuiz Caldas: A volta está sendo maravilhosa. Sinto como se eu tivesse tirado uma semana para sair de cena e estudar





