Quais mistérios rondam a cabeça de um sujeito que cantava ''eu queria ser uma abelha pra pousar na sua flor'' e que, agora, blasfema versos como ''eu ressuscitei, não morri, gelei, matei a paixão, não lhe dei a mão; quis lhe estraçalhar...''? Pois, acredite, o Luiz Caldas inventor do axé agora é do heavy metal. E não só do heavy metal, como também da música indígena, do frevo, do samba e da MPB. O projeto mais ousado do cantor de 46 anos será lançar dez CDs, simultaneamente, cantando os ritmos que o fizeram querer ser músico na adolescência, na época dos bailinhos. ''Com esse projeto vou mostrar que não sei só fazer axé.''
São 132 músicas divididas em nove estilos e duas caixas - dessas, 130 foram compostas e gravadas em menos de um ano pelo cantor. ''As outras duas foram presentes dos meus amigos e mestres Walter Franco e André Abujamra'', completa Caldas. Nomes como Zeca Baleiro, Sandra de Sá e Seu Jorge são alguns dos convidados salpicados entre os dez trabalhos. Já a inspiração para sobreviver à maratona veio de George Harrison e Djavan. ''Harrison lançou um álbum triplo depois de sair dos Beatles. Já o Djavan sempre falou que senta e rala, trabalha todo dia como se fosse em um emprego normal. Comecei a compor tudo em março do ano passado e estou acabando de mixar a segunda caixa agora.''
Caldas destaca dois CDs da caixa, um destinado aos índios, cantado integralmente na língua tupi, e o mais aguardado, o de rock , em que faixas como ''Jarbas'', ''No Bar'' e ''A Maldição'' despontam. Esta última ganhou uma voz gutural e riffs de guitarra que deixariam os fãs do Sepultura de cabeleira em pé. Para o disco indígena, Caldas usou o bosque em que ''malha'' todo dia como inspiração.
No site www.luizcaldas.com.br é possível escutar as canções e comprar as faixas. Mas engana-se quem imagina que a ousadia de Caldas para na produção em série. ''Minha meta é mandar estes CDs para o (maestro) Quincy Jones, para o Bono, para o Barack Obama. Acho importante o Obama ouvir o trabalho de uma pessoa que foi a pioneira na black music moderna da Bahia.'' Haja amor.

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