Luísa Maita exibe seu caleidoscópio rítmico
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Adriana del Ré<br>Agência Estado 
No ano passado, um burburinho entre a imprensa especializada em música dava conta de uma jovem cantora e compositora paulistana de nome Luísa Maita. Na época, ela ainda não havia lançado um disco. Na realidade, ainda estava no processo de gravação do primeiro CD e divulgou uma ou outra faixa. Um crítico ouviu, indicou para outro, que recomendou para um terceiro e, assim, criou-se uma rede. Por coincidência, Luísa despontava em meio a uma nova geração de compositoras, que também cantam, como Tulipa Ruiz, Tiê e Andreia Dias.
''Eu não esperava essa repercussão. Foi um movimento importante'', diz Luísa, de 28 anos, que, agora sim, está lançando seu antecipadamente elogiado álbum de estreia, Lero-Lero. Das 11 faixas, oito são de sua autoria. As demais levam a assinatura do namorado Rodrigo Campos e dos amigos Luís Felipe Gama e Morris Picciotto.
O caleidoscópio rítmico, de sambas, toadas e MPB, é reflexo das diversas influências aos quais ela foi submetida desde muito criança. Nascida no Bexiga, logo se mudou com os pais para a periferia, um sítio no Grajaú, na Zona Sul de São Paulo, onde havia uma espécie de comunidade hippie. Lá, seu pai, o músico Amado Maita, descendente de árabes, compunha fervorosamente com seus vizinhos, gente como Fernando Falcão e Lea Freire.
A influência do padrinho Falcão, ''uma mistura de Alceu Valença, Naná Vasconcelos e Glauber Rocha'', nas palavras da própria compositora, está de corpo presente em músicas como Fulaninha e Anunciou, desse primeiro disco. Por parte da mãe, a produtora cultural Myriam Taubkin, de família judia, está, como se percebe, o clã Taubkin, que tem como expoentes os talentosos músicos Benjamim e Daniel, tios de Luísa.
Depois da separação dos pais, cada um foi para um canto: a mãe voltou a morar com a família, em Higienópolis, bairro nobre, enquanto o pai retornou para o Bexiga. Dividida entre cenários tão extremos, a compositora se acostumou a transitar entre universos musicais contrastantes. De um lado, o pop e rock ouvido pelos adolescentes de classe média alta do colégio. De outro, o samba e a música nordestina que ressoavam por todos os cantos do Bexiga.
Também falou alto a veia urbana, de quem sempre viveu numa metrópole. E ela transformou letras em crônicas. Isso fica claro em canções como a singela Alento, que nasceu dessa conexão com a cidade, que poderia ser São Paulo ou qualquer outra cidade grande do planeta. ''Acordo cedo com o pé no freio o mundo inteiro começa a girar/No banheiro, olho no espelho/Crio coragem e ponho pra andar'', diz o trecho.
Além do Brasil, o disco Lero-Lero vai alçar voos mais altos, com escalas na Europa e Estados Unidos.


