Lugares para esquecer as preocupações Localizada no município de Araioses guarda histórias indígenas e cenários de beleza paradisíaca Arquivo FolhaMUITA AREIACaminhar pelas dunas é um dos programas do turista na Ilha do CajuReproduçãoNo fim da tarde, o céu muda de cor e a luz da lua é refletida nas lagoasReproduçãoILHAS BRASILEIRASEntre abril e agosto, as dunas represam a água da chuva e as aves se juntam para reprodução Cleide Cavalcante Agência Estado. Se há um lugar onde o turista pode passar dias ou até semanas sem tocar em dinheiro, é a Ilha do Caju, no município maranhense de Araioses. Basta comprar um dos pacotes oferecidos pelas agências, já que eles incluem todos os passeios – barco, charrete, cavalo, canoa. A ilha era habitada pelos índios tremembés, cuja saga dá margem a uma série de histórias, mitos e lendas. Dizem os moradores do lugar que esses índios eram temidos em todo o Delta do Parnaíba, até a chegada dos jesuítas liderados pelo padre Vieira, em 1660, Um século mais tarde, os jesuítas foram expulsos pelo Marquês de Pombal, que também mandou acabar com os agrupamentos indígenas. O que sobrou do trabalho artesanal dos índios ainda pode ser visto em certos locais da ilha, como o Morro do Índio. Costuma-se acordar cedo na Ilha do Caju, mas vale a pena. Logo às seis da manhã, é servido o café e a partir das sete começam os passeios. Embora o clima seja bom durante o ano todo, a maioria prefere visitar a ilha entre abril e agosto, quando as dunas represam a água da chuva e as aves se juntam para reprodução. A partir de setembro, as lagoas azuis formadas entre as montanhas começam a secar. Há sete anos, a sede da missão dos jesuítas, construída no começo do século 18, foi transformada em pousada. Embora rústicas, as acomodações são decoradas com bom gosto. Uma boa diversão é subir as montanhas até quando o corpo aguentar e, depois, escorregar pelas dunas. O passeio a cavalo até o Mirante da Praia Ciumal, a dois quilômetros da pousada, é outra atração interessante. No fim da tarde, o céu muda de cor, ganha tons mais delicados, do azul ao vermelho, e a luz da lua é refletida nas lagoas. ‘‘A Ilha do Caju é a porta do paraíso’’, comenta o turista carioca Rubens Eduardo Ferraz da Fonseca. Na floresta do mangue seco, uma espécie de minipantanal, a água doce drenada das dunas forma lagoas com peixes de rio e jacarés. Com um pouco de sorte, o turista pode apreciar o espetáculo dos colheireiros, aves cor-de-rosa com o bico em forma de colher, e os vôos dos pássaros-guarás, com suas vistosas penas vermelhas. São aves em extinção, que encontram ali seu último refúgio. De repente, o turista pode dar de frente com algum jacaré no meio da trilha, ou ter seu veículo atolado na lama do mangue. Mas os guias da região são bons e resolvem problemas desse tipo sem grandes dificuldades. Tudo bem, mas...se é Ilha do Caju, onde estão essas frutas? Há quilômetros de árvores carregadas de caju, nos campos, e eles ajudam a matar a sede das caminhadas. E, por falar em caminhadas, prepare-se para a visita ao manguezal, no sul. São 40 minutos de andanças pelos areião, até chegar ao Porto do Fundamento e, de lá, embarcar de canoa rumo aos igarapés. O lugar abriga várias espécies de crustáceos. Vale a pena, também, dar uma esticada até à Praia do Porto Grande, de onde a vista é maravilhosa, principalmente ao pôr-do-sol. TOME NOTA - Como chegar A Ambiental (tel. 11/870-4600) oferece pacotes com roteiros que incluem a Ilha do Caju. O preço inclui transporte, hospedagem, passeios, refeições, seguro e guias. Quem quiser ir por conta própria, deve chegar à Parnaíba (há vôos diretos da Rio Sul que partem de São Luis ou Fortaleza). De lá são mais quatro horas de barco até a Ilha do Caju. - Onde ficar A Pousada Ecológica da Ilha do Caju oferece pacote que inclui o traslado de barco. Informações: 86/321-3044 ou 321-1308. Site: www.ilhadocaju.com.br