A curitibana DesCompanhia de Dança apresenta hoje, às 20h, no Teatro Cleon Jacques, em Curitiba, seu novo trabalho ‘‘Lugares de Mim’’, uma investigação sobre a imagem, como ela é percebida e armazenada pelo espectador.
  De acordo com a diretora e criadora da companhia, Cintia Napoli, a pesquisa para o espetáculo buscou responder à questão dos limites da permanência da imagem, em especial da dança, no imaginário do público. ‘‘Como é uma linguagem efêmera, não pode ser revisitada como a fotografia e o vídeo. Então o que é que fica? De que maneira o público registra e interage com essa imagem?’’, observa Cintia. Para encontrar a resposta, o grupo estudou outras linguagens, como a fotografia e o vídeo, até chegar a conceitos correspondentes na dança.
  Partindo do conceito de ‘‘latência’’ (período que antecede a revelação da imagem no papel fotográfico), o grupo chegou à idéia da ‘‘potência’’, ou seja, de um universo aberto de possibilidades para a fixação de uma cena no imaginário do espectador. ‘‘A latência é o momento em que a imagem está querendo ser revelada. Da mesma forma temos latências pessoais, momentos querendo ser revelados’’, explica a diretora. ‘‘Aí se chega ao conceito de potência dessa imagem. Qual o caminho para ela de fato se comunicar com o público? Ela é potente quando abre esse espaço para o imaginário, ela cria esse espaço. Não é uma interpretação única, depende do repertório de cada pessoa’’, completa Cintia.
  O espetáculo é o resultado de um trabalho conjunto entre a diretora e os bailarinos Juliana Adur, Peter Abudi e Yiuki Doi. A base para a criação dos movimentos é o improviso, guiado por uma trajetória a ser seguida a cada apresentação. ‘‘Não tem marcações no espaço. A coreografia não existe. Existe uma indicação de o que aquilo significa, do estado daquele momento’’, explica Cintia. Segundo a diretora, a cada sessão os bailarinos adaptam os movimentos de acordo com o sentimento que eles querem transmitir ao público naquele dia.

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