Lugar sombrio da alma feminina
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
Reportagem Local 
Um sombrio lugar, isolado e desconhecido da alma feminina, é o refúgio de sentimentos inversamente proporcionais à força do amor, que dão vida e somente aparecem quando esse ventre decide gerar o rancor e a amargura. Na peça ''Medea (La Extranjera)'', do grupo espanhol Atalaya, estréia internacional do 39º Festival Internacional de Londrina (FILO) hoje, às 20h30, no Teatro Ouro Verde, com reapresentação amanhã, esse território é sondado na versão contemporânea da tragédia grega.
A obra é uma adaptação de Carlos Iniesta da síntese mais que perfeita da tragédia grega. Inspirado nos textos de Eurípedes, Sêneca e Heiner Muller, o diretor e dramaturgo transporta para os conflitos dos povos do Terceiro Mundo, o mito da mulher que ao ser desprezada pelo homem que ama, Jasão, estrangula os filhos por vingança.
O mito inspirador estendenderá no palco londrinense, além dos sentimentos femininos, a condição social da mulher, que em cena será representada por quatro atrizes.
O coro e o contraste de luz e sombra ajudam o público a sentir a tragédia, que parte da cobiça de Jasão pelo velocino de ouro guardado por um dragão.
Ao ajudar Jasão a ter o velocino, Medéia se apaixona por ele, mas um outro amor dominará o coração dele.
Medéia mata os filhos e presenteia a rival com um manto mágico com o poder de matar. No mito, a mulher é manipuladora, usando de táticas para empreender a sua vingança e, no espetáculo, todos os conflitos, como o ódio, a paixão e ambição também estarão presentes no trabalho de vanguarda europeu.
O Atalaya é um grupo dedicado à pesquisa e investigação teatral, como o Odin Teatret, da Dinamarca, que já esteve no FILO, e o TTB, da Itália. A companhia recebeu críticas favoráveis à versão de Medéia, um clássico que inspirou outras obras ao longo dos anos.
Outra apresentação de hoje no FILO, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo, é o musical ''Em Busca de suas Criaturas'', do grupo londrinense Teatro de Garagem. A peça traz a inusitada história de um escritor que sai em busca de seus personagens.
A periferia de uma cidade e o universo criativo do escritor são os lugares onde a trama acontece, fazendo com que os personagens transitem entre a ficção e a realidade. Prostitutas, travestis, meninos de rua, traficantes e trabalhadores fogem da história criada pelo escritor, vivendo em um boteco.
A trilha sonora, formada por alguns sambas, ajuda a contar uma história, que aproxima o espectador da realidade de muitas cidades brasileiras.
O grupo londrinense Santeria também se apresenta no festival hoje, às 19 horas, na Concha Acústica, o espetáculo cênico-musical homônimo. A partir de um sincretismo criativo, o elenco percorre os caminhos da fé na cultura brasileira, encontrando os santos católicos, orixás e devoções de outras culturas.
Para a montagem, o grupo pesquisou tradições religiosas africanas e européias, mostrando as suas confluências no cenário das crenças brasileiras. Além da música, o elenco recorre à narração de contos, lendas e da exposição de relicários confeccionados pela artista plástica Jaqueline Almada.


