Iran Malfitano se deleita em ''Bela, A Feia'', da Record, com seu papel mais maduro na tevê. Na pele do ardiloso Adriano, o ator larga de vez os personagens juvenis e não só comemora a estreia como vilão mas também o primeiro contrato longo, coisa que nunca conseguiu em outras emissoras. ''Sempre tive de segurar a grana porque ficava desempregado quando não estava no ar'', queixa-se Iran, que ficou conhecido pelo público quando foi escolhido para interpretar o romântico Gui, protagonista da temporada de 2001 de ''Malhação''. O ator não tem a menor vergonha em garantir que a decisão de criar um vínculo longo com a Record não foi sua, mas da própria Globo. ''Sempre busquei uma proposta de continuidade lá, mas eles não se interessaram'', assume ele, que participou também de ''Kubanacan'', ''Bang Bang'', ''Cobras & Lagartos'' e, mais recentemente, ''A Favorita'', como o confuso gay Orlandinho, na antiga emissora.
''Quando assinei com a Record, nem sabia se estaria em ''Bela, A Feia''. A proposta que recebi foi de um contrato, mas sem um personagem específico. A emissora chamou algumas pessoas para testes e eu vim. Achava que era apenas para arquivo mesmo. Só que, logo em seguida, fui informado que ainda não estavam escalados o mocinho e o vilão da novela e, na hora, ponderei que sempre fui, de um modo geral, da parte boazinha das novelas. E que, é claro, seria bacana conseguir um papel diferente. Mas a decisão foi da Gisele Joras e do Edson Spinello. Esse é o personagem mais complicado que já fiz até hoje.
O início das gravação foi difícil para o ator, que confessa ter feito vários estudos para chegar ao perfil ideal do personagem. ''Quando comecei a me assistir, não gostei. Eu tinha feito uma leitura diferente. Meu estudo para construir o Adriano não foi em cima da série ''Ugly Betty'' ou do original colombiano ''Betty, a Feia''. Não queria cristalizar uma criação. Então, fiz um estudo em cima de personagens do cinema americano que correspondiam a ele. Pelo menos no que diz respeito à índole, como o Commodus, de ''O Gladiador'', papel do Joaquin Phoenix. O cara mata o pai para que as coisas não aconteçam de forma contrária à sua própria vontade. De um egoísmo extremo, assim como o Adriano.
Não faltam desafios neste novo trabalho. Outra dificuldade é lidar com um personagem tão carregado em uma novela voltada para a comédia. ''A história toda é cômica, mas existem alguns papéis que não têm esse traço no texto. Como o do Jonas Bloch, o da Sílvia Pfeifer e o meu. Isso nos deixa numa posição muito vulnerável e, por isso, a probabilidade de destoar cresce. É importante achar um tom para evitar isso. Mas essas complicações me instigam. Me considero muito jovem, com menos de 10 anos de carreira. Não posso me cobrar demais''.

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