Lugar é paraíso dos místicos
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domingo, 02 de maio de 1999
Cleide Cavalcante Agência Estado 
No interior do Mato Grosso do Sul, a Chapada dos Guimarães exerce total fascínio em seus visitantes. O ponto culminante do lugar é o morro de São Jerônimo, uma espécie de mirante natural com 836 metros de altitude. No platô, coberto por vegetação rasteira, é possível ter uma visão de até 100 quilômetros de distância. É lá que os místicos costumam montar acampamento, à espera do encontro com o sobrenatural. Há várias histórias sobre isso, muitos afirmam ter visto na Chapada discos-voadores, fadas, gnomos, seres de outros mundos, anjos... Lendas (ou não) à parte, a região está entre as paisagens mais elogiadas do Brasil, com cachoeiras maravilhosas, como a do Véu da Noiva, e uma infinidade de atrativos naturais.
Sua posição é privilegiada: a Chapada é considerada o centro geodésico do continente, ou seja o coração da América do Sul, o ponto médio exato entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Ao contrário de outros parques nacionais, aqui o destaque é a paisagem natural, e não especificamente a variedade da fauna e da flora. A principal atração do cerrado mato-grossense, a menos de 60 quilômetros de Cuiabá, chega a registrar temperaturas por volta de zero grau no inverno.
ReproduçãoMirante do Centro GeodésicoO relevo entrecortado, formado por grandes paredões de rocha sedimentar com até 500 metros de altura, proporcionam um belo espetáculo, principalmente quando combinados com quedas dágua. É o caso do mirante, de onde se pode observar a Baixada Cuiabana e trechos do Pantanal. Outro ponto bastante visitado pelos turistas é o Morro dos Ventos, localizado dentro de uma área particular (paga- se para entrar). Porém, o dono da fazenda desenvolveu uma boa infra- estrutura turística, com restaurante, lanchonete e estacionamento para 60 carros, além de uma plataforma suspensa sobre uma ribanceira de 150 metros. Também muito procurada pelos visitantes é a Cidade de Pedra, uma formação rochosa moldada pelo vento, que se assemelha aos arranha-céus dos grandes centros.
Pesquisadores já encontraram na Chapada dos Guimarães ossadas gigantes, possivelmente de dinossauros. Assim surgiu uma das muitas lendas da região. Segundo os habitantes locais, lá viveram gigantes que subiram o paredão rochoso para escapar do grande dilúvio. E o misticismo aumenta ainda mais quando o assunto envolve o Paralelo 15 Sul, que atravessa a Chapada. Muitos moradores garantem que ele representa o berço da grande civilização do Terceiro Milênio.
Também há quem defenda a teoria de que a Chapada está localizada em uma linha imaginária conhecida como Corredor Bivac, em meio a um fluxo eletromagnético no sentido Nordeste-Sudoeste, que passa também por Porto Seguro e Brasília. Outra corrente afirma que sobre a Chapada, existe um buraco na atmosfera que permite a passagem de ondas cósmicas. Nada disso foi provado. Na verdade, o que interessa é o espetáculo que se pode observar a olho nu. Um lugar singular, que a natureza demorou milhões de anos esculpir.


