Antes de iniciarmos nossa peregrinação, é bom conhecer um pouco da história desta região para compreender porque o Abruzzo conseguiu manter praticamente intacta sua riqueza de monumentos que refletem um passado ilustre, bem como suas tradições culturais.
Vamos nos deter apenas na parte oriental do Apenino, onde se encontra o Vale Sangro-Aventino, que recebe o nome do rio que nasce na aldeia de Palena e passa pelos territórios de Lettopalena, Taranta, Lama, Colledimacine Civitella, Torricella Peligna, Gessopalena e outras tantas.
Escavações feitas nas proximidades de Lama dei Peligni trouxeram à luz restos de uma mulher pertencente ao Neolítico superior (6000 a.C.), atualmente conservados no Museu Pré-histórico de Roma. Isto confirma a antiquíssima presença humana nesta região. Da população italiana que nas épocas sucessivas povoaram o território conhecemos os nomes Pentri, Carecini e Lucani, todos de origem sannita, e os Frentani. Estas populações se dedicavam sobretudo ao pastoreio.
Um exemplo disto é Iuvanum, importante cidade romana, surgida provavelmente como mercado e lugar de culto para os pastores das proximidades. Esta cidade foi inserida na nova estrutura administrativa criada depois da colonização romana no Século III a.C.
A história da queda do Império Romano se mescla com aquelas das construções dos monastérios beneditinos (S. Giovanni in Venere em Fossacesia, San Mauro em Bomba, Santa Maria dello Spineto em Quadri, Santa Maria del Palazzo em Iuvanum) que ficaram como a única forma de autoridade e governo local naquela época bastante atormentada.
A invasão longobarda não mudou substancialmente as coisas: os duques de Spoleto e Benevento eram habituados a conceder amplas prerrogativas jurídicas aos mais importantes monastérios da Itália centro-meridional. A autoridade eclesiástica sobre estas terras começou a diminuir com o surgimento de poderosas famílias feudais, como os Borrello, destinados a assumir em seguida o título de ‘‘condes do Sangro’’. Este poder foi limitado durante o reino de Federico II de Savóia, para retomar vigor com os Angi€.
Durante a Idade Média estas terras conheceram também momentos trágicos, causados pela peste e pelos ataques dos mercenários contratados pelos vários pretendentes ao Reino de Nápoles. Com a anexação deste reino à coroa espanhola, surgiu uma nova e ávida classe de barões entre os quais os Caracciolo de Villa Santa Maria e os Colonna.
As suas pretensões eram sempre alvo de frequentes revoltas populares. No entanto, quando a armada francesa (apesar de desfraldar a bandeira da liberdade e ser contrária ao feudalismo) chegou no sul da Itália encontrou feroz resistência em Casoli, Fossacesia e Atessa. Depois da unificação da Itália, a região passou a integrar a província do Abruzzo Citeriore tendo como capital a cidade de Chieti.

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