O "Prêmio Multishow de Humor" funciona como uma espécie de teste para humoristas iniciantes. E a aposta em descobrir novos talentos da comédia, com o respaldo de jurados que entendem do assunto, parece que tem dado certo para o Multishow. Prova disso é que, além de ter chegado à quarta temporada – a estreia é amanh㠖, o programa ganhou mais tempo no ar. Antes exibido em 45 minutos, desta vez terá uma hora de duração.
E ainda contará com cinco jurados fixos, em vez de apenas quatro, como antes. Ao lado dos já conhecidos Fernando Caruso, Sérgio Mallandro e Natália Klein, que fizeram parte das outras edições, passam a integrar o júri os comediantes Daniele Valente e Bento Ribeiro – Miá Mello se despediu da produção. "Dani, além de ser sensível, tem uma opinião inteligente. Já Bento é meu amigo de infância. Desenvolvemos nossas referências cômicas ao mesmo tempo, então é engraçado ter essa mistura de algo pessoal com o trabalho", opina Fernando Caruso.
A intenção do programa é ir atrás de pessoas que querem fazer comédia, mas ainda não conquistaram seu espaço. Até chegar o dia de revelar um novo humorista na final, os competidores passam por diversas fases. A primeira delas é a seleção dos 24 participantes, que concorrem ao prêmio de R$ 25 mil. Os candidatos precisam se inscrever pela internet, mas o diretor Pedro Antônio Paes alega que a produção também faz um trabalho importante de seleção em sete cidades do país. "Somamos todas as inscrições entre o site e as praças para fazer a seleção. Depois, avaliamos se o candidato tem número para todas as fases", explica o diretor.
Gravado em oito dias, o programa foi captado no estúdio Boas Novas e na casa onde os participantes ficam confinados. Essa experiência de mantê-los juntos durante a competição acontece desde a segunda temporada do "Prêmio Multishow de Humor".
Para Pedro Antônio, a casa é um recurso que possibilita um intercâmbio entre os candidatos sobre diferentes formas de fazer comédia. Além disso, traz um clima de harmonia, uma vez que, em algumas etapas, eles precisam atuar em dupla. Já para Sérgio Mallandro, essa intensidade complica a participação dos humoristas. "Eles estão concorrendo todos os dias. O cara concorre agora e amanhã já tem de criar um texto novo", relata Mallandro.
Na hora de fazer sua performance, o participante é chamado ao palco pelo apresentador Fábio Lins e tem a necessidade de entreter a plateia ao mesmo tempo em que precisa cativar o júri. A tarefa não é fácil, mas os jurados concordam que os números dessa temporada melhoraram em relação às edições anteriores. "Tem uns que são muito bem intencionados e que estão no lugar certo, mas outros ainda não possuem um diferencial. É necessário ter algo que os torna únicos", defende Natália.
Enquanto uns ainda estão lutando para chegar lá, outros concorrentes ao prêmio possuem um carisma que chega a ser indiscutível aos olhos do júri. "Às vezes, aparece alguém que tem um brilho maior do que a técnica", conclui Daniele.
Na hora de criticar as apresentações, os jurados tentam expor um olhar sensível tanto ao mostrar os lados negativos quanto os positivos de cada candidato. Mesmo após estrelarem seus próprios projetos no Multishow, eles se colocam no lugar do avaliado. "Você pode ser honesto sem ser cruel com a pessoa", assegura Bento.
Já Natália é um pouco mais dura com a sua visão de como os participantes devem ser julgados. Para ela, a apresentação ao vivo causa um efeito por conta da plateia, que ri até quando o número do candidato não é tão bom. Isso acaba influenciando o júri. "Quando a gente vê na tevê o mesmo número que achou mais ou menos aqui, ele fica dez vezes pior. Uma apresentação mediana que a gente puxa para o elogio fica incoerente para quem está assistindo em casa", argumenta a jurada.

"Prêmio Multishow de Humor" – Estreia amanhã, às 21h30, no Multishow

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