Em uma sala colorida, aconchegante e cheia de brinquedos e jogos, alunos com deficiência intelectual da Escola de Educação Básica da Modalidade de Educação Especial Ilece têm o seu momento de prazer e aprendizagem. Sob a coordenação da pedagoga Maria Eduvirges Guerreiro Leme, há três anos a brinquedoteca da instituição tem se constituído num espaço importante para o desenvolvimento dos alunos. ''As pessoas tendem a pensar que os brinquedos para as crianças com deficiência intelectual precisam ser diferentes, mas isso é um engano. Eles são os mesmos, o que muda é a forma do professor interagir com as crianças, de mediar na hora da brincadeira, ajudando a criança a fazer a organização do pensamento'', avalia a educadora, que irá ministrar uma palestra sobre o assunto, no próximo dia 14, dentro da programação de um curso realizado pela Unopar que começa no próximo sábado e segue até o dia 27 de junho. O evento é aberto a toda comunidade.
De modo geral, Maria Eduvirges afirma que pais e educadores minimizam a importância do brincar no desenvolvimento infantil - independente da deficiência intelectual - e defende um olhar mais atento sobre a questão. ''O lúdico melhora o potencial de cada criança e muitas vezes a escola esquece da sua responsabilidade no brincar. Através da brincadeira, a criança se mostra verdadeiramente e o professor deve estar atento'', ressalta. ''Ele não precisa ser psicólogo, mas conhecer a importância desse trabalho e fazer as intervenções necessárias. E caso perceba a demonstração de psicoses, fazer o devido encaminhamento'', acrescenta.
A orientação é que os pais também brinquem junto com os filhos e não tenham a postura de deixar as crianças sempre brincando sozinhas para que possam cumprir outros afazeres. ''Vale destacar que a TV e o computador são ferramentas educacionais e não brincadeiras; não são atividades lúdicas onde podem ser trabalhados aspectos de interação e socialização'', diz.
A aluna Aline Natiele Soares Ordalho, 14 anos, conta que gosta muito da brinquedoteca e as bonecas são seus brinquedos favoritos. ''Em casa, não tenho tantas bonecas e cada uma tem o seu nome. Brinco de casinha; sou mãe e elas minhas filhinhas'', afirma. A professora Adriana Belisário Piccinin Soares conta que o tempo dedicado à brinquedoteca - de duas a três vezes por semana, durante 50 minutos - deveria ser maior na opinião das crianças e considera tranquilo o processo de interação com seus alunos. ''Relaxo com eles e é supergostoso interagir durante as brincadeiras. Também enfocamos a organização e eles aprendem a guardar os brinquedos'', informa.
Mais informações sobre brinquedotecas pelos sites www.unoparvirtual.com.br (ver link ''laboratórios específicos'') e www.brinquedoteca.org.br, da Associação Brasileira de Brinquedotecas.
Serviço:
Curso ''Brinquedistas e Organização de Brinquedotecas'', do Departamento de Pedagogia da Unopar
Quando - As aulas começam no dia 7 de maio e vão acontecer todos os sábados, durante o dia todo, até o dia 24 de junho
Onde - Unopar do Jardim Piza
Quanto - R$ 240
Conteúdo - O que é brinquedoteca, brincar na brinquedoteca, diferentes tipos de brinquedotecas, brinquedos para crianças deficientes, brinquedoteca hospitalar, primeiros socorros, jogos e brincadeiras, brincar e as etapas do desenvolvimento, construção e criação de materiais com sucata e jogos pedagógicos, contador de história
Inscrições - Até quinta-feira pelos tel. (43) 3371-7840/3371-7783

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