Nada como um disco ao vivo com as emoções do público e do intérprete por inteiro, sem a assepsia do estúdio. O cantor italiano Luciano Bruno sabe disso melhor que ninguém. O CD de estréia no Brasil, registro do show levado na Paradiso, casa noturna do Rio de Janeiro, foi um sucesso de vendas. Lançado em 1995, motivou o segundo, que não teve a mesma receptividade. Este foi gravado em estúdio.
Luciano Bruno está selecionando o repertório do próximo disco, que a exemplo do lançamento de estréia, também será ao vivo. ‘‘O calor da platéia é fundamental’’, diz o artista que ampliou sua carreira até o Sul do Equador graças ao empenho de dois importantes empresários: João Araújo e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-homem forte da Rede Globo de Televisão.
‘‘Eles me viram cantando e convidaram para inaugurar a Paradiso, uma casa que eles iam abrir no Rio. Aceitei sem saber que eram pessoas tão importantes’’, confessa. Se houve surpresa com o poder de Boni e João Araújo, ela não foi maior que a popularidade da música italiana entre os brasileiros.
‘‘Tinha gente que vinha corrigir os antigos sucessos que eu cantava, dizendo que a letra estava errada’’, confidencia. Luciano Bruno costumava se apresentar nos países europeus ‘‘para os italianos’’. No Brasil a platéia é muito mais vasta, não fica na condição de gueto. Ele lembra das primeiras apresentações e aquele mar de brasileiros cantando com ele. ‘‘Foi uma emoção muito grande’’, comenta.
Recentemente apresentou-se num clube em Fortaleza, para 1.500 pessoas. ‘‘Dizem que quem faz sucesso no Sul tem dificuldades no Norte, porque a cultura é outra. Graças a Deus para mim a receptividade é sempre a mesma.’’ Sem deixar-se arrastar pelo novo, alimenta a carreira no Brasil mas não perde de vista o trabalho desenvolvido na terra natal e países vizinhos. ‘‘Vivo na ponte aérea’’, ensina.

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