Lourival Tavares lança Na Colheita dos Versos
Com timidez, o jovem cantor se aproximou do microfone para interpretar um sucesso de Sílvio Caldas, regravado por Paulo Sérgio. Era o início da década de 70, e uma das rádios de São Luís mantinha um programa de calouros. Lourival Tavares soltou a voz, todo mundo gostou e, durante um mês, cantou a mesma música na emissora.
Era o início da carreira do compositor e intérprete maranhense que, proveniente do interior do Estado, foi influenciado mais pela música de Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga - e repentistas que frequentavam a fazenda de seu avô - do que as composições de bumba-meu-boi que se proliferam em São Luís e arredores.
Além da música nordestina, Tavares também traz na bagagem ecos da Jovem Guarda e da Tropicália. Associadas à admiração por João do Vale, essas influências geraram um compositor emotivo, voltado para os problemas e costumes do sertão.
O álbum Na Colheita dos Versos, lançado dia 30 em São Paulo pelo CPC-Umes e distribuidora Eldorado, é uma espécie de coletânea da carreira de Lourival Tavares gravada ao vivo. O disco ficou bem gravado, a gente colhe influência de vários personagens e por isso fiz a faixa Medley para homenagear o pessoal, explica Tavares. Medley é um pot-pourri com músicas de Patativa do Assaré, João do Vale, Luís Vieira, Gonzaguinha e outros.
Na Colheita dos Versos foi gravado durante apresentação de Lourival Tavares no projeto Umes/Cantarena, no Teatro da Umes - União Municipal de Estudantes Secundaristas de São Paulo - em 12 de agosto de 1996. O disco tem muita emoção, sou um pouco frio para trabalhos em estúdio. Eu gosto mais do show, onde coloco o canto para fora. Tem algumas falhas, nenhum disco é perfeito, e tive só dois ensaios com os músicos, comenta Lourival.
O repertório inclui composições de discos como Procissão das Formigas e Lobo da Lua, e traz a inédita O Sabor da Flor. Além de Lourival Tavares na voz e violão, o show teve participação de Galba no violino e bandolim, Pedro no baixo, e Maria da Paz na viola de penedo. Jarbas Mariz dividiu os vocais em Canto da Ema, de João do Vale.
Enquanto trabalha a divulgação do novo álbum, Lourival Tavares já pensa em gravar novamente. Por enquanto estou trabalhando neste disco, que é o mais recente, mas já estou bolando alguma coisa. Tenho músicas inéditas, e penso em gravar O Sabor da Flor com outra concepção, com arranjos de estúdio. Mas repertório é algo que nunca está fechado, de repente pode mudar alguma coisa, ressalta, lembrando que em Lobo da Lua chegou a retirar uma composição própria para incluir a de um compositor de João Pessoa. Lourival Tavares ficou um mês procurando o sujeito, até conseguir a música.ReproduçãoLourival Tavares: Sou um pouco frio para trabalhos em estúdio. Eu gosto mais do show, onde coloco o canto para foraRanulfo Pedreiro





