Louie Bellson e sua banda de astros tocam no Free Jazz
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quinta-feira, 07 de outubro de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 08 (AE) - Um dos grandes sonhos do baterista Louie Bellson, desde a década passada, é vir para o Brasil. Acalenta o sonho a partir do momento em que o também baterista Max Roach o apresentou a alguns discos de samba e bossa nova - ele chegou mesmo a gravar um disco com sua versão desses gêneros
"The Musical Drummer". Louie Bellson, que o crítico Leonard Feather chamou de "o mais fenomenal baterista da história", chega na quarta-feira ao Brasil (seu show é no domingo, 17). E não vem sozinho.
Ele traz uma big band de 15 integrantes denominada The Duke Ellington Alumni, para tocar em homenagem ao centenário de nascimento do pianista, maestro, compositor e arranjador Duke Ellington (1899-1974). Quem vem com ele? Ninguém menos que outra lenda, o trompetista Clark Terry. E também os trombonistas Art Baron e Buster Cooper e o saxofonista Norris Turney, todos ex-músicos de Ellington.
"Não é uma tarefa fácil", disse Bellson em entrevista por telefone, na quinta-feira. "Duke era tão poderoso ao piano quanto competente como maestro e não se pode dizer que chegaremos sequer a nos aproximar da sua atuação", afirmou o baterista, seis vezes indicado para o Grammy. "É a mesma coisa que fazer um tributo a Count Basie com a poderosa presença de Basie nos nossos calcanhares ou um tributo a Benny Goodman - sempre haverá uma ausência mais forte que a presença", diz.
Mas, se há alguém que pode ser o band leader de um tributo a Ellington, esse alguém é Bellson. O veterano baterista já tocou com Count Basie, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Dizzy Gillespie, Benny Carter, Sammy Davis Jr., Lionel Hampton, Joe Williams, Mel Tormé, Art Tatum, Oscar Peterson e, claro, Duke Ellington, entre muitos outros. Para a banda de Ellington, deixou duas composições: "Skin Deep" e "The Hawk Talks". Inovação - Ele é considerado tão completo como músico quanto como compositor e arranjador. Tem mais de 300 composições. Vive em Moline, Indiana, onde realiza anualmente um festival de jazz que leva seu nome. Também participou da trilha de filmes, como "The Gangs All here", "The Power Girl" e "A Song Is Born".
Louie Bellson começou a tocar aos 3 anos e, aos 15, criou o set double-bass de bateria, o que provocou uma pequena revolução no instrumento. "Eu estava na escola, em 1938, quando o professor me pediu um projeto e eu fiz aquilo", lembra. "Depois, quando encontrei Benny Goodman, ele se mostrou entusiasmado com o som e hoje a maioria dos bateristas ou usa ou faz algo parecido". Ele sempre foi um prodígio.
Aos 17 anos, ganhou um concurso com 40 mil bateristas, o "Gene Krupas Contest". Hoje, célebre, não mudou o jeito expansivo. Gosta dos jovens bateristas, como Steve Gad, Greg Hutchinson e Billy Cobham. Entre os seus velhos colegas, elege uma tríade: Roy Haynes, Max Roach e Art Blakey. O veterano Elvin Jones é um nome à parte. "Ele criou algo novo", diz. Mas, entre todos eles, só um nome é realmente sagrado para Bellson: o baterista da Count Basie Band, Joe Jones.
"Ele tinha um estilo incomparavelmente belo, como um bailarino", comenta. "Vivo numa era particularmente feliz, cheia de grandes sujeitos e na qual velhos e novos são maravilhosos", afirma. Ele salienta o papel de destaque que as mulheres estão ocupando atualmente no instrumento - destacou a baterista Sheila E., que já tocou com Prince, e Sylvia, que acompanha Clark Terry. "As ladies estão tocando para valer".


