À cer­ta al­tu­ra, uma voz anun­cia: ‘‘­Olha o que eu ­achei. É um tri­lo­bit do pe­río­do pa­leo­zói­co. De­ve ter uns 300 bi­lhões de ­anos’’. A pi­lhé­ria es­tá na aber­tu­ra de uma das no­ve pe­ças ins­tru­men­tais do ál­bum ‘‘­Tutorial’’, o pri­mei­ro CD ofi­cial da ban­da lon­dri­nen­se Tri­lo­bit. O dis­co aca­ba de ­sair pe­lo se­lo Bra­ço Di­rei­to. Foi gra­va­do e mi­xa­do no es­tú­dio Play­Rec­Pau­se, com pro­du­ção de Ju­lio Ani­zel­li em par­ce­ria com Mar­ce­lo Do­min­gues. A em­prei­ta­da é in­de­pen­den­te.
  Tri­lo­bit foi cria­do há ­dois ­anos com uma pro­pos­ta ino­va­do­ra: fun­dir gui­tar­ras agres­si­vas e mú­si­ca ele­trô­ni­ca com o ex­pe­ri­men­ta­lis­mo. Os pri­mei­ros ­shows ar­re­ba­ta­ram pla­téias, que se sur­preen­diam com a no­vi­da­de so­no­ra, es­pe­cial­men­te com a pro­fu­são de sam­ples. O CD in­clui o som do the­re­min (apa­re­lho que emi­te ­sons de acor­do com as on­das mag­né­ti­cas emi­ti­das pe­las ­mãos de ­quem es­tá uti­li­zan­do o ins­tru­men­to).
  Uma das ob­ses­sões da ban­da é ma­ni­pu­lar re­fe­rên­cias li­ga­das ao ima­gi­ná­rio da fic­ção cien­tí­fi­ca. O pró­prio no­me (Tri­lo­bit) te­ria si­do ins­pi­ra­do num ani­mal ma­ri­nho pré-his­tó­ri­co que ha­bi­ta­va os ocea­nos an­tes de os di­nos­sau­ros do­mi­na­rem a Ter­ra.
  Do nú­cleo ori­gi­nal, já hou­ve um ra­zoá­vel ro­dí­zio de in­te­gran­tes. Res­ta­ram o gui­tar­ris­ta Sas­sá, o per­cus­sio­nis­ta Gon­za­lez e o bai­xis­ta Mar­ce­lo Do­min­gues. ‘‘O pro­ces­so de gra­va­ção do CD le­vou ­mais ou me­nos 1 ano. Te­mos mui­ta ex­pec­ta­ti­va em ci­ma de­le. Sa­be­mos que, ape­sar da im­por­tân­cia da mú­si­ca vir­tual, o CD po­de ­abrir mui­tas por­tas. É um CD que mar­ca a iden­ti­da­de de uma ­banda’’, sa­lien­ta Ge­ne­ral Ur­ko.
  As gra­va­ções do dis­co con­ta­ram com as par­ti­ci­pa­ções es­pe­ciais de Bru­no Ka­yapy (da ban­da ma­to­gros­sen­se Ma­ca­co ­Bong/gui­tar­ra), El­cio Fi­dler (do Ter­ra Cel­ta/vio­li­no e gai­ta de fo­le), Mi­zão (gui­tar­ra) e Ste­reo­tron (the­re­min) – os ­dois úl­ti­mos com pas­sa­gem pe­lo Tri­lo­bit. O som do gru­po re­me­te ao ‘‘spa­ce ­rock’’ e ­traz in­fluên­cias de ban­das nor­te-ame­ri­ca­nas co­mo ­Trans Am e Man or As­tro-man?, ­além das ba­ti­das que­bra­das (break­beats) do duo bri­tâ­ni­co Che­mi­cal Bro­thers.
  O pri­mei­ro lo­te do CD che­ga com uma ti­ra­gem de mil có­pias, com dis­tri­bui­ção na­cio­nal pe­la Tra­to­re. Pa­ra di­vul­gá-lo, o gru­po já es­tá mon­tan­do a agen­da de ­shows. O de lan­ça­men­to em Lon­dri­na se­rá no dia 23 de ja­nei­ro. De­pois se­guem pa­ra Flo­ria­nó­po­lis (SC), Ma­rin­gá (PR), Cu­ri­ti­ba e São Pau­lo. Uma tur­nê tam­bém es­tá sen­do en­ga­ti­lha­da pa­ra a Ar­gen­ti­na no mês de mar­ço.

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