Loterias milionárias engordam cofre do MinC
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segunda-feira, 25 de outubro de 1999
por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 26 (AE) - Os anônimos baianos que levaram uma bolada de R$ 65 milhões da Mega Sena não sabem, mas não ganharam sozinhos. Os prêmios milionários das loterias também estão ajudando a engordar o cofrinho do Ministério da Cultura, que leva 1% do volume global das apostas - por meio do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pnac), segundo lei sancionada pelo presidente da República em novembro de 1996.
Só nas duas últimas Mega Senas o ministério levou algo em torno de R$ 1 milhão (foram R$ 65 milhões do sortudo baiano e mais R$ 45 milhões da atual, acumulada). "Nós investimos em bolsas de estudos, bibliotecas, patrimônio histórico", disse ontem em São Paulo o ministro da Cultura, Francisco Weffort, ao abrir uma feira de negócios no Expo Center Norte. "O que não falta é projeto cultural pedindo investimento", afirmou.
Entre outras coisas, é do fundo que saem os recursos para o pagamento do Prêmio Ministério da Cultura, que foi entregue no início deste mês. O prêmio, que contempla personalidades de diversas áreas (artes cênicas, música, literatura, museologia e artes plásticas), tem o valor individual de R$ 25 mil e foi entregue, este ano, para seis artistas e quatro instituições.
A lei que destina 1% do valor arrecadado pelas loterias para o Pnac é de autoria do deputado Ubiratan Aguiar (PSDB-CE), que está com outro projeto tramitando na Câmara para aumentar o porcentual. Aguiar agora quer dotar o fundo nacional da cultura com 10% do valor arrecadado. "Eu acho que é bem possível", disse o ministro Weffort.
O ministro fez ontem uma apresentação das realizações culturais de sua pasta por meio das leis de incentivo, na abertura do seminário Qualidade Brasil, no Expo Center Norte. Weffort disse que há quatro emendas (individuais e coletivas) tramitando na Câmara dos Deputados pedindo aumento de recursos no orçamento federal para a cultura no ano 2000. "Vai aumentar, porque houve um aumento expressivo de projetos", afirmou o ministro.
O dinheiro do Fundo Nacional de Cultura também está sendo usado para organizar encontros internacionais, como um megaevento cultural que será realizado em três cidades brasileiras (Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro), entre 9 e 18 de dezembro, o Mercado Cultural. O acontecimento atrairá promotores culturais, diretores de festivais e representantes de instituições privadas e governamentais da América Latina, da Europa, dos Estados Unidos e do Caribe. Além de apresentações artísticas, conferências, grupos de trabalho, exibição de filmes e vídeos, workshops e mostras de rua, o Mercado contará com a Feira de Artes Latino-Americana (Fala), composta de 150 estandes para exposição de produtos culturais de toda a América Latina.
Do evento participarão artistas de diversas regiões do exterior, como a cantora Cesária Évora, de Cabo Verde; Susana Baca, do Peru; Amina Figarova, da Holanda; os grupos Al Tanbura e Mallawy, do Egito, entre outros. Grupos da Bahia, como Ilê Ayê
Filhos do Congo e Filhas de Oxum, também participarão dos espetáculos, em Salvador. O Mercado criará oportunidades de intercâmbios na área cultural. Para o festival estão sendo convidados promotores culturais de vários países para assistir aos espetáculos nacionais e internacionais e a uma mostra do melhor da arte baiana.
O Mercado será realizado de 9 a 12 de dezembro em Salvador; de 12 a 15, em São Paulo; e de 15 a 18, no Rio. Em São Paulo, uma das grandes atrações será o Festival de Cinema Africano, um evento composto de 12 filmes, incluindo produções afro-brasileiras, africanas e da diáspora africana. No Rio, a Conexão Cuba será constituída de conferências e espetáculos, além de exposições e exibição de filmes e vídeos. O Mercado Cultural Latino-Americano é uma iniciativa do Ubuntu Network e da Casa Via Magia, com o apoio da Ford Foundation. Informações sobre como participar do evento podem ser obtidas pelos telefones (0--71) 247-0068 e 331-2198.


