LOS ANGELES, LANÇAMENTO DE DESTAQUE
O filme de Curtis Hanson, ganhador de dois Oscars, chega às locadoras precedido de muita expectativa
Estelio Feldman

Reprodução
Considerado um filme injustiçado pelo Oscar, ‘‘Los Angeles, Cidade Proibida’’ ganhou, porém, outros prêmios, inclusive o Globo de OuroNa opinião do jornalista Carlos Eduardo Lourenço Jorge, um dos maiores entendidos em cinema que conheço, o filme ‘‘Los Angeles, Cidade Proibida’’, que teve nove indicações ao Oscar, foi um dos injustiçados naquela promoção, conquistando apenas duas estatuetas, a de atriz coadjuvante, com Kim Basinger, e a de roteiro adaptado, do diretor do filme Curtis Hanson e de Brian Helgland. É opinião também de outros entendidos, como o jornalista Luiz Zanin Oricchio, que completa seu comentário a respeito dizendo que ‘‘é filme de gente grande’’.
Acabei de ler, recentemente, conforme os leitores devem ter visto, no comentário publicado ontem, o livro que deu base ao filme. Quando Carlos Eduardo me viu lendo, perguntou se eu tinha visto o filme. Eu disse que não e ele então lamentou, dizendo que era tão bom quanto.
Bom, agora poderei conferir: ‘‘Los Angeles Cidade Proibida’’ está sendo lançado em vídeo, pela Warner. Trata-se de uma atração e tanto. Uma história muito bem contada pelo escritor James Ellroy, que passou à tela com fidelidade. Mas, para quem gosta de cinema, certamente isto não é o mais importante. O que vale, mesmo, é o conteúdo.
O diretor Curtis Hanson era tido como bom artesão de tramas de ação e suspense, como ‘‘A Mão que Balança o Berço’’ e ‘‘O Rio da Morte’’. Mas a verdade é que a respeitabilidade autoral de Hanson, em alcance mundial, veio mesmo a partir deste filme. Para fazê-lo, ele se inspirou numa rica tradição cinematográfica dos Estados Unidos, a do noir, que teve sua época de ouro entre os anos 40 e 50. Esses filmes eram feitos em preto e branco, seu espaço cênico eram as ruas escuras da cidade, em geral molhadas. Quase tudo se passava à noite e todo mundo fumava.
Hanson incorpora todos esses elementos para fazer seu noir moderno. O elenco forma um time fantástico, com Kevin Spacey, Kim Basinger, Danny De Vito, Russell Crowe e Guy Pearce.
A personagem de Kim Basinger é, de certa forma, um resumo de tudo o que a história pretende apresentar. Nada é o que parece na cidade dos sonhos. Los Angeles aprendeu a viver do cinema e isso quer dizer que o que importa mesmo é a aparência e não a essência. É a cidade do imaginário. As pessoas não procuram uma mulher por sua beleza intrínseca, mas porque ela se parece com uma atriz. Consequência: o engano e a sombra estão sempre comprometendo as ações dos personagens. Ninguém sabe direito quem é quem e, muito menos, o que cada qual pode esperar dos outros.
Trama intensa, uma história que traz de volta alguns elementos importantes do cinema, formando um espetáculo que vale a pena ver, rever, até mesmo ter. A propósito, só um conselho para quem gosta de comprar fitas de filmes para ter em casa: não compre agora, no lançamento. Espere alguns meses, porque agora o valor de venda é alto. Logo, vai baixar bastante. Por enquanto, apanhe o vídeo nas locadoras, que certamente vão comprar muitos para atender à procura.

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