A jovem atriz Nara Motta traz para os palcos de Londrina uma das obras mais polêmicas da literatura brasileira. O espetáculo solo "Lori Lamby é uma banana", baseado em "O Caderno Rosa de Lori Lamby" de Hilda Hilst, estreia nesta sexta-feira (7), às 20h, na DAC – Divisão de Artes Cênicas da UEL, com entrada gratuita e classificação indicativa de 16 anos.

O projeto nasceu durante a pesquisa de conclusão do curso de Artes Cênicas da UEL e marca a estreia da atriz em um trabalho que mistura provocação e reflexão crítica. "Minha relação com Lori e Hilda começou em 2019 quando li o livro por indicação de uma professora da faculdade. A obra, muito provocante e debochada, também adentra em questões sobre feminismos, gênero e dissidências", revela Nara.

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Nascida em Presidente Prudente, Nara Motta, 26 anos, começou a fazer teatro aos 6 anos. Aos 16, entrou para o Programa Sociocultural e Artístico de Teatro do Centro Cultural Matarazzo. Aos 18, ingressou no curso de Artes Cênicas na Universidade Estadual de Londrina, participando de grupos de estudos, atuando em diversas cenas e produções artísticas.

Publicado em 1990, "O Caderno Rosa de Lori Lamby" foi a primeira obra pornográfica de Hilda Hilst, escrita após 40 anos de carreira como resposta irônica ao mercado editorial que não dava o devido retorno ao seu trabalho. Hoje, o livro é considerado por críticos a maior obra pornográfica da literatura brasileira.

PROXIMIDADE PROVOCADORA

Com direção de Camila Fontes, o espetáculo tem cerca de 50 minutos de duração e acontece em um cenário rosa repleto de tecidos que envolvem a plateia. "Um espaço que convida o público a estar dentro da 'casinha de bonecas' de Lori", explica Nara. A proximidade entre atriz e público é proposital, provoca desconforto e muita reflexão.

A dramaturgia foi construída a partir de jogos de improvisação com base no texto original, experimentação e elementos cênicos. "Como colocar em discussão, não somente o que Hilda Hilst escreveu há mais de 30 anos, mas também pôr em jogo outras discussões que hoje podemos pensar", questiona a atriz.

Nara Motta em "Lori Lamby é uma banana": espetáculo traz questões ligadas ao feminisnmo, gênero e dissidências
Nara Motta em "Lori Lamby é uma banana": espetáculo traz questões ligadas ao feminisnmo, gênero e dissidências | Foto: Natália Castro/ Divulgação

DESAFIOS NA DIREÇÂO

Para a diretora Camila Fontes, o maior desafio foi migrar do papel de assessoria artística para assumir a direção da montagem, com a possibilidade de dialogar com a pesquisa já consistente da atriz. "O texto de Hilda Hilst é bastante provocativo, tornando-se uma obra perigosa de ser encenada atualmente, num contexto em que as pessoas falam demais sem se interessar pela história e pelo contexto das coisas — estão, em outras palavras, tomadas pela preguiça intelectual e deixando de estudar", destaca Camila.

A diretora celebra o resultado final do trabalho. "Estou muito feliz com o encontro que a Nara proporcionou entre eu, ela, a Hilda e a Lori. A gente chega em um final estético visual que muito me interessa, e numa dramaturgia que respeita o texto original da Hilda, mas com o nosso olhar e atenção para os dias de hoje. “O Caderno Rosa de Lori Lamby” foi escrito na década de 1990, os tempos e o tempo das coisas mudaram, então precisamos adaptar", afirma.

PROGRAMAÇÃO

O espetáculo contará com 60 lugares por sessão, e entradas gratuitas disponíveis pela plataforma Sympla

Além da DAC (7 e 8 de novembro), o espetáculo será apresentado na Usina Cultural (14 e 15 de novembro), Norte Cultural (28 e 29 de novembro), Vila Triolé (5 e 6 de dezembro) e pela Biblioteca Pública (9 de dezembro).

Toda sexta-feira haverá banca de livros da Olga com desconto para professores e alunos, e nos dias 8 e 29 de novembro haverá bate-papos após a apresentação, mediados pela produtora cultural Carin Louro, sobre processo criativo e literatura pornográfica. "Espero muito que as pessoas possam se divertir com Lori Lamby e Hilda Hilst tanto quanto eu me divirto fazendo esse espetáculo", convida Nara.

O projeto tem patrocínio do PROMIC - Programa de Incentivo à Cultura de Londrina por meio da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina e apoio da Livraria Olga.

* Com assessoria.

SERVIÇO:

EM NOVEMBRO

“Lori Lamby é uma banana”

Quando: sexta (7) e sábado (8) - no sábado haverá bate-papo após o espetáculo

Local: DAC – Divisão de Artes Cênicas da UEL (Av. Celso Garcia Cid, 205)

Horário: 20h

Presença de intérprete de Libras

*

Sexta-feira (14) e sábado (15)

Local: Usina Cultural (Av. Duque de Caxias, 4159)

Horário: 20h

*

Sexta-feira (28) e sábado (29) - no sábado haverá bate-papo após o espetáculo

Local: Norte Cultural (R. Lino Sachetin, 498)

Horário: 20h

Presença de intérprete de Libras

*

EM DEZEMBRO

Sexta- feira (5) e sábado (6)

Local: Vila Triolé (R. Etienne Lenoir, 155)

Horário: 20h

Presença de intérprete de Libras e audiodescrição

*

Terça-feira (9)

Local: Biblioteca Pública Municipal (Av. Rio de Janeiro, 413)

Horário: 16h

Presença de intérprete de Libras

* Mediação dos bate-papos: Carin Louro

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