Longo caminho
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domingo, 05 de abril de 2015
Raquel Rodrigues<br>TV Press 
Letícia Colin prefere papéis que a transformam. Para a atriz, o interessante de sua profissão é o que aprende com suas personagens. Desta vez, na pele da doce Elisa, em "Sete Vidas", ela começa como uma garota disléxica que acaba de passar no vestibular para Medicina. No entanto, esse não será o único momento de superação da jovem. No decorrer da novela, a estudante tímida se torna uma modelo e com a pressão do meio desenvolve anorexia. "É sempre interessante quando você tem um ponto de partida de um distúrbio de aprendizado ou de um transtorno alimentar. Dá uma densidade. Quando passo por isso junto com uma personagem é uma coisa que exige muito de mim", relata.
Para conhecer melhor o problema de Elisa, Letícia foi atrás da Associação Brasileira de Dislexia, em São Paulo. Já para o começo da fase anoréxica, a atriz teve de perder peso para que no vídeo aparentasse estar mais magra. Por gostar de se alimentar bem, Letícia diz que sua maior motivação é saber que isso é necessário para dar veracidade à cena. "Já emagreci um pouco. Agora faltam mais uns três quilos. Acho que fazendo com tempo e com acompanhamento médico fica tranquilo", explica.
Na história, Elisa começa sem qualquer vaidade. É uma garota que usa jeans, óculos, moletom e não tem intimidade nenhuma com batom, espelho e salto alto. Então, a personagem cai no meio do mundo "fashion", e, a partir desse momento, vai se identificando com um universo em que nunca tinha se imaginado. "É muito bonito ver uma personagem que não descobriu a sua feminilidade. Hoje em dia, é natural para as meninas saberem como posar para a foto ou colocar uma roupa, mas tem pessoas que não são assim", conclui.
Por se sentir deslocada perto das outras modelos, Elisa vai começar a pensar que tem de ficar igual às colegas de profissão. Mostrar os sinais de quando essa situação pode virar um problema médico é algo que Letícia aprova. "Esse tipo de alerta é muito válido. Às vezes, a gente não tem esse olho treinado para perceber. A gente julga muito mais do que acolhe nesse mundo", reflete.
Ao mesmo tempo que está com uma personagem dramática na tevê, Letícia estreia no cinema a comédia romântica "Ponte Aérea", como a publicitária paulista Amanda, que se apaixona pelo carioca Bruno, vivido por Caio Blat. "Essa é a personagem mais adulta que já fiz. Ela é muito focada no trabalho e frenética, o que me exigiu muito vigor. Tenho orgulho desse projeto", revela.
Além disso, Letícia está no ar na segunda temporada de "Amor Veríssimo", do GNT, e se prepara para entrar em cartaz com o musical infantil "Mas Por Quê??! A História de Elvis" em que canta sucessos do Rei do Rock. Inclusive, ela conta que demorou a assumir uma relação mais séria com a música. Atualmente, Letícia tem até uma banda chamada Uba!, porém antes se intitulava apenas uma atriz de musical. "Sempre me senti protegida por um personagem. Então, cada vez mais, ganho espaço com a música. É gostoso fazer uma peça em que posso cantar também. Eu me sinto com superpoderes", confessa.
Embora considere estar em uma boa fase da carreira, Letícia diz que sempre sente pânico quando inicia um novo projeto. Estar simultaneamente na tevê, teatro, cinema e com mais projetos engatilhados para o decorrer do ano acalma a atriz, que admite sentir medo de um espaço vazio em sua agenda. "Acho que o caminho do homem moderno e do artista contemporâneo é se produzir, escrever e juntar com os amigos para não esperar apenas um convite. Vejo muito esse giro", acredita.


