Reynaldo Gianecchini seminu pelos corredores de um motel no Rio de Janeiro. Para virar filme, a cena primeiro foi real. Enquanto fazia o papel de Roberto ao lado de Paola Oliveira no longa ''Entre Lençóis'', do diretor Gustavo Nieto Roa, com estréia prevista para o dia 5 de dezembro, Gianecchini viu e foi visto por anônimos que frequentavam aquele inusitado set de filmagens. ''E quem me levava para as gravações era um negão, um cara gigantesco... Pegava mal pra caramba'', ri, ao lembrar das filmagens do longa rodado em apenas 12 dias.
O ator, que ainda considera sua participação na novela ''Esperança'' (2000) o melhor trabalho que fez na carreira, fala da polêmica sobre o nu no cinema, da patrulha dos críticos e sobre seu sumiço da TV.
O filme ''Entre Lençóis'' foi quase todo rodado em um motel. Algo bem inusitado...
Foi bastante engraçado. Para mim, eu estava indo apenas para um set de filmagem, mas não era um set comum, era um motel. A gente encontrava os hóspedes com frequência. Além disso, quem me levava para o motel era um negão, um cara gigantesco. As pessoas olhavam e me viam entrando com ele no motel, pegava mal pra caramba. Um dia virei e falei para ele: ''Pô cara, não dá mais'' (risos).
Em grande parte da história, você e Paola Oliveira ficam nus, não é?
Exatamente. A história do filme necessita de que fiquemos sem roupa. Mas é uma história linda de amor, quando li o roteiro me apaixonei, então isso é secundário.
O ator Pedro Cardoso, recentemente, se manifestou contra o nu gratuito no cinema, durante o Festival de Cinema do Rio de Janeiro. Você pensa como ele?
Eu não tenho nenhuma grande questão com o nu. Comecei minha carreira no Teatro Oficina, em São Paulo, com o José Celso Martinez, que é muito bom e usa bastante o nu. Mas entendo o manifesto dele. Quando é gratuito, parece que é uma tara do diretor. É sobre isso que deve ser a discussão. Não sobre o filme, mas sobre a questão da gratuidade.
O elenco só tem você e Paola. Isso ajuda na hora das filmagens?
Definitivamente. A equipe inteira do filme é pequena, o clima era mais familiar, o que torna tudo mais íntimo e mais fácil. Inclusive eu e a Paola participamos bastante de tudo, metemos muito o bedelho. O diretor do filme, Gustavo Roa, tem pulso forte mas é aberto.
Há algum novo projeto por vir?
Na realidade, não. Gostaria de produzir mais, com essa de ficar metendo o bedelho vi que cada vez me interesso mais pelo processo todo. Não dirigir, porque meu barato é ser ator, mas curto discutir o roteiro, a estética, por exemplo. É bom ter suas coisas também, porque aí não fica dependendo muito dos outros e de seus convites. Mas isso é mais pra frente, por enquanto quero ficar assim mesmo. Gosto de ter um tempo pra mim, ler, ir ao cinema. Fazer minhas coisas.
Nada de novela por enquanto?
Quero ficar um pouco longe da televisão. Ela massifica muito a imagem do ator, quero me reciclar. Fora que é muito cansativo também, é uma loucura ficar fazendo uma novela atrás da outra. Quero que as pessoas fiquem com saudades mesmo. Isso é bom. Mas, como sou contratado da Globo até 2011, é bem capaz que apareça alguma coisa pra fazer, ainda não sei. O certo é o especial de final de ano.
Em sua primeira atuação na TV, você foi bastante criticado. Essa patrulha diminuiu? Qual é sua relação hoje com a crítica?
Não me preocupo muito, não. Hoje vejo que muitos viram que eu não era um cara babaquinha que estava lá apenas para aparecer. Nunca fui isso mesmo. Mas, apesar de tudo, a sensação que eu tenho é a de que a cada trabalho a gente tem de estar se provando. Mas faz parte, a carreira de ninguém é feita apenas de sucessos, existem fracassos também. O foco tem de estar no trabalho e não em pensar no que vão falar. Obviamente se a crítica for boa, é ótimo, mas isso não é o que mais importa.
Qual foi o seu maior sucesso?
Embora o Pascoal (''Belíssima'', 2005) tenha sido meu divisor de águas e tenha me aberto portas para outros trabalhos, acho que o meu melhor papel foi o Toni em ''Esperança'', que nem foi uma novela de sucesso. Ele tinha uma profundidade imensa, é o meu maior orgulho.
E o que ainda falta?
Não tenho grandes sonhos, mas nunca fiz um vilão, que dá uma gama muito maior de trabalho do que o mocinho, talvez falte isso.

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