Longe do apelo comercial
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de dezembro de 2000
Nelson Sato De Londrina 
O novo pop escocês foi, talvez, a grande surpresa da virada da década no mundo das guitarras independentes.
Glasgow, a capital, virou celeiro de bandas como há quinze anos quando revelou nomes como Jesus & Mary Chain, Primal Scream, Pastels e The Vaselines.
Desta vez, a maioria dos grupos surgiu de um pequeno selo chamado Chemikal Underground, criado originalmente pelos integrantes do quarteto Delgados para lançar apenas seus singles. Cinco anos depois, o catálogo da micro-gravadora abriga as mais aguardadas promessas para a próxima temporada.
O próprio Delgados já está em seu terceiro álbum. The Great Eastern, que chegou ao Brasil pela Roadrunner (agora rebatizada Sun Records), foi produzido por Dave Fridmann, o mesmo que trabalhou nos últimos discos do Mercury Rev e do Flaming Lips.
Sem qualquer apelo comercial, o álbum reúne baladas melancólicas alternando suavidade folk e alguma dissonância. Ao longo das canções, as mudanças de andamento são uma constante, impedindo qualquer grude melódico. Um dos trunfos da banda é o revezamento entre os vocais masculino (Stewart Henderson) e feminino (Emma Pollock) em meio a arranjos que incluem orquestra de cordas, vibrafone, flauta, viola, trompete, acordeão e flugelhorn.
Classificado afoitamente como obra-prima pelos críticos mais exaltados, o disco pouco acrescenta a Peloton, o segundo deles e também já lançado por aqui. American Trilogy, No Danger e Make Your Move se sobressaem no repertório cuja sonoridade evoca aqui e ali o Drugstore, o grupo inglês que tem a brasileira Isabel Monteiro nos vocais.


