Longe da escola, crianças aproveitam tempo livre
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segunda-feira, 30 de julho de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Alice só precisou entrar num espelho para conversar com ovos e peças de xadrez e Peter Pan apenas um pouco de pó de pirlimpimpim para levar os leitores de J.M. Barrie à Terra do Nunca. Os dois personagens da literatura universal dão conta também da fantasia e imaginação das crianças, que podem ser tudo o que sonharem nas brincadeiras infantis.
Razão para que os adultos enxerguem o brincar como coisa séria, levando a criançada a aproveitar da melhor maneira essa fase da vida. As férias escolares são uma boa oportunidade para isso.
O psicólogo londrinense Fernando Zanluchi, autor do livro ''O Brincar e o Criar - As Relações Entre a Atividade Lúdica, Desenvolvimento da Criatividade e Educação'', destaca que brincar é a principal maneira da criança desenvolver física, social e emocionalmente.
''Antigamente, as crianças podiam brincar na rua, com os pais tomando conta. Hoje, as colônias de férias fazem esse papel'', completa Zanluchi.
Ao contrário do final de ano, nas férias de julho, a maioria dos pais está trabalhando.
Zanluchi lembra que as colônias de férias acabam sendo uma solução para essa rotina apertada, um fôlego para pais que não sabem o que fazer com as crianças nessa época do ano.
''Podem ser uma solução, mas os pais devem tomar cuidado para que o local escolhido não seja um depósito de crianças. A colônia de férias não é somente para ocupar o tempo da garotada. A escolha de uma ruim pode trazer alguns acidentes, agressões físicas e sexuais aos filhos. Os pais precisam perguntar aos filhos se estão gostando do lugar ou se, por exemplo, sentem que são excluídos'', orienta o psicólogo.
Entre as dicas de Zanluchi para a escolha de uma colônia de férias, Zanluchi acrescenta que os pais devem procurar conhecer os profissionais, que cuidarão dos filhos.
''É importante olhar nos olhos de quem lida com crianças. É preciso ter vocação. Os pais devem fazer visitas ao local, conhecer bem as instalações físicas, verificando se não há riscos de acidentes e se os espaços para brincar são adequados. Também é preciso conhecer a programação e verificar com os filhos se está sendo cumprida e se as atividades estão sendo acompanhadas'', aponta Zanluchi.
Para os pais que optam pelas férias em casa, o psicólogo afirma ser uma oportunidade para uma aproximação maior com os filhos.
Também aconselha que alguns pais podem se organizar, promovendo um rodízio entre as famílias para que cada uma se responsabilize por um grupo de crianças durante um dia das férias.
''Nesse momento vale os recursos comunitários. As comunidades precisam se organizar. Os pais que não podem ficar com as crianças, ajudariam preparando o lanche. As famílias também podem recorrer à escola, pedindo as quadras de esportes para a garotada nas férias. Um ou dois pais poderiam estar com essas crianças. O que não pode é deixá-las sozinhas porque não têm condições para isso'', afirma Zanluchi, completando que nessas horas, os pais devem lembrar que está todo mundo no mesmo barco e que, quando dividem as responsabilidades, todos saem ganhando.


