Ir a Campeche é experimentar a falta de pressa, é ver um México muito diferente da dobradinha tequila-sombrero dos resorts. Ali se respira tradição. O traje típico feminino, vendido nas lojas de artesanato, ainda enfeita as danças regionais: saia de uma só cor, sempre chamativa, e bata branca com decote quadrado e bordada em preto.
É ver um povo simples, hospitaleiro, às vezes beirando o serviçal. Não é à toa que chamar alguém de ‘‘campechano’’ no México significa tomá-lo como cordial, inocente – quase bobo, dependendo de quem diz e de quem recebe o adjetivo.
Mas é, principalmente, conhecer uma gente que valoriza suas raízes, que tem nos traços do rosto a influência maia que carrega para a cozinha. A civilização pode ter desaparecido, mas em Campeche segue viva. Não somente em peças de museu. As refeições lembram os costumes dos antigos donos da terra. O ‘‘maíz’’ (milho) é a base para diversas receitas.
A gastronomia, aliás, é um capítulo à parte. O que inclui exóticos sucos. Peça uma ‘‘agua de chaya’’, refresco feito com a folhinha verde local. Batida com abacaxi fica excelente. Ou a ‘‘agua de hocharta’’, que lembra o nosso arroz-doce, só que numa versão de beber.
Na hora de escolher o prato, muitos estranham o gosto forte do milho na massa dos ‘‘tamales’’, uns recheados cozidos em folha de bananeira. O tempero vem caprichado. Os famosos tacos com pimenta aparecem já no café da manhã. Se condimento não for a sua, peça um simples pão com leite.
Mas é imperdoável não provar uma especiaria regional. Claro, você pode evitar algum episódio desagradável. Seguro, porém, pouco ousado. O que fazer com o arrependimento por não ter provado aquele que poderia ser o melhor camarão de sua vida? Só quem sentiu o sabor do crustáceo à moda campechana, empanado na farinha de coco e servido com molho de maçã, pode imaginar o sacrilégio.

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