Longa seduz com sexo, tristeza e boa música
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de maio de 2014
Thales de Menezes<br>Folhapress 
Ao final de uma sessão de "Alabama Monroe" (Bélgica), o espectador deixa o cinema certo de que acaba de ver um bom filme. Difícil mesmo é classificá-lo em algum gênero.
Dramalhão sobre doença, boas canções de música country, cenas de sexo bem quentes, momentos fofinhos. Tem tudo isso, bem misturado na edição, a ponto de causar estranheza ao pular de um clima para outro.
Resumindo muito, é a história de um casal que vive em área quase rural na Bélgica.
Ela, Elise, é tatuadora na cidade mais próxima, com o próprio corpo servindo de mostruário de seu trabalho.
Ele, Didier, é um fazendeiro hippie que canta e toca banjo numa banda de bluegrass gênero "primo" do country, mas executado só com instrumentos de corda.
O filme começa quando sua filha única de 6 anos inicia quimioterapia. Então a história segue em saltos temporais, indo e voltando no relacionamento dos dois.
Daí vem a gangorra emocional oferecida pelo diretor Felix van Groeningen.
Um belíssimo momento no palco da banda de Didier na qual Elise assume os vocais pode ser seguido de uma cena triste da menina no hospital, de rasgar o coração, e depois o filme volta para o início de namoro do casal, com alta voltagem erótica.
Apesar dessas variações, um tanto incômodas, é fácil se envolver com a história. Ajuda o ótimo desempenho do par central.
A radiante Veerle Baetens derrete libidos na plateia. E Johan Heldenbergh, autor da peça que deu origem ao filme, vai bem no papel mais difícil, como o instável Didier.
"Alabama Monroe" realmente seduz o espectador e chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas perdeu para "A Grande Beleza" (Itália).


