Curitiba - Começa bem o primeiro longa-metragem protagonizado pela dupla Sandy e Júnior que estréia hoje em 300 salas do País (confira programação de cinema na página 2). O problema é o que vem depois. A super-produção ''Acquaria'' é um dos filmes mais caros produzidos no Brasil. Orçado em R$ 10 milhões, o longa dirigido pela publicitária Flávia Moraes deveria reservar aos espectadores efeitos especiais surpreendentes. Algumas cenas, em raras exceções até cumprem o papel, mas a interpretação monocórdia dos atores, em contraste com as estridentes canções que interpretam durante o longa, deixa a desejar.
Sem fixar bandeira num público definido, o filme não chega a ser uma produção infantil. Talvez seja difícil até mesmo para os adolescentes (e por que não dizer adultos?) entender o roteiro assinado por Cláudio Galperin em parceria com a própria diretora. O mote principal é a guerra pela água que acontece num futuro distante. A discussão politicamente correta de proteger o planeta para que os bens naturais não desapareçam, no entanto, não se aprofunda.
A história começa com uma cena doméstica interpretada pelo casal (na vida real) Júlia Lemmertz e Alexandre Borges, cuidando dos filhos pequenos. São interrompidos pela invasão de uma tribo de inimigos, que querem roubar a já escassa água guardada pelos dois. O casal tenta salvar a prole, mas um dos filhos, a garota, é levada pelos bandidos. Não precisa pensar muito para adivinhar quem interpreta o casal de irmãos no futuro.
Eles se encontram, sem saber do parentesco, 15 anos depois, quando Kim (Júnior); Gaspar (Emílio Orciollo Netto) e Guili (o garoto Igor Rudolf, um dos poucos, senão o único personagem responsável por quebrar a monotonia do longa), todos órfãos, lutam pela sobrevivência nas ruínas da então devastada cidade de Acquaria. O mais velho deles, Gaspar, tenta sem sucesso consertar uma máquina de água, cujos esboços foram deixados pelo pai de Kim. Este por sua vez, se distrai construindo instrumentos e, claro, cantando.
Sarah (Sandy) é encontrada no deserto perto da casa dos três garotos e ali, sem dar nenhuma explicação de onde vem ou para onde vai, fica. Para reconstruir o árido cenário, a produção optou pelas belas paisagens do deserto do Atacama, no Chile. Em território estrangeiro, porém, Sandy e Júnior não participaram das filmagens para não comprometerem a voz. Nas cenas externas foram substituídos por dublês.
O elenco tem ainda a participação de Milton Gonçalves, como Závos, o construtor de caixas. O ator é o mais experiente de toda a trupe e já acumula papéis em mais de 40 longa-metragens. A própria diretora ainda é incipiente no mercado. Na publicidade, no entanto, Flávia Moraes já assinou mais de 2 mil comerciais e alguns curta-metragens. ''Acquaria'' é o primeiro longa assinado por ela.
A estréia acontece em grande estilo. Com distribuição pela Fox Film, a produção está investindo pesado no marketing. A própria distribuidora, aliás, está colocando o filme na mesma categoria de megaprodutos anteriores, como ''X Men 2'' e ''007'', que atraíram milhares de espectadores. Ainda não se sabe o público estimado do filme da dupla musical, mas a divulgação é grande. Além de chamadas na tevê (o longa tem co-produção da Globo filmes), a empresa de licenciamento Imagine Action está apostando em produtos que levam a imagem de ''Acquaria'', com previsão de faturamento de R$ 5 milhões.
Até o primeiro bimestre de 2004, devem ser despejados no mercado, cadernos, papéis de carta; álbum de figurinhas; chicletes e até kit de manicure ilustrados com os personagens do longa. Mas que os pais não se preocupem, as imagens doem menos que o próprio filme.
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