São Paulo - Os argentinos não podem se queixar. Na tradição aberta por O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, sua dança nacional continua na ordem do dia no imaginário europeu, um posto que, por exemplo, o samba jamais atingiu. Ponto para os hermanos. O mais recente avatar dessa devoção musical é Tango Livre, do belga Fréderic Fonteyne, o mesmo de Uma Relação Pornográfica (1999), já lançado por aqui. Tango Livre concorreu em Veneza, na mostra paralela Horizontes, e lá ganhou o Prêmio Especial do Júri, uma distinção nada desprezível. O filme entra em cartaz hoje no Cine Com-Tour, em Londrina.
E há mesmo alguma coisa de especial na história do guarda de prisão que frequenta uma academia de tango e lá conhece a mulher de um detento sob sua guarda. JC (François Damiens) se encanta por Alice (Anne Paulicevich), sem desconfiar da complicada vida amorosa da mulher. Tímido e desajeitado, JC mexe com dinamite pura enquanto ensaia seus primeiros passos na complicada dança portenha.
Mas o que conquista o espectador não é tanto a ciranda sensual de Alice e sim o papel da dança nessa história que, de realista no início, evolui para um registro quase da fábula em seu desenvolvimento.

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