As relações literárias entre o Brasil e os países hispano-americanos, tema deste ano do "Londrix – Festival Literário de Londrina", tem hoje um dia especial em sua programação com o debate entre os escritores Joca Reiners Terron e Juan Pablo Villalobos (este uma das atrações internacionais do evento).
O encontro será às 19h30 na Vila Cultural Cemitério de Automóveis, com mediação de Frederico Fernandes. A conversa irá tratar da produção contemporânea nos países latino-americanos e dos respectivos novos livros dos convidados, os romances "A Tristeza Extraordinária do Leopardo-das-neves" e "Se Vivêssemos em um Lugar Normal".
Terron, mato-grossense radicado em São Paulo, participa pela segunda vez do "Londrix". Há três anos, conquistou o "Prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional" com o romance "Do fundo do poço se vê a lua", lançado pela editora Companhia das Letras. Também publicou livros de poesia e contos.
Seus textos integram diversas antologias nacionais e estrangeiras, como "Geração 90: os transgressores" (2003), "Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século" (2004), "A Literatura latino-americana do século XXI" (2005) e "Contos Cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea" (2006).
Como dramaturgo, escreveu a peça "Bom Retiro 958 Metros" para o cultuado grupo Teatro da Vertigem. Mas além de se dedicar à escrita, Terron é um ativista cultural que tem prestado serviço inestimável à literatura. Como editor, por exemplo, criou a Ciência do Acidente publicando obras de autores considerados "malditos" como José Agrippino de Paula, Glauco Mattoso, Manoel Carlos Karam e Valêncio Xavier. Neste ano, organizou a coleção Otra Língua para a editora Rocco com a proposta de fazer circular no mercado brasileiro títulos de autores hispano-americanos como Mario Levrero, Horacio Moya e Cesar Aira.
O mexicano (radicado em Campinas-SP) Juan Pablo Villalobos, por sua vez, traz a tiracolo o já citado romance "Se Vivêssemos em um Lugar Normal", segundo volume de sua trilogia sobre o México – o primeiro foi o livro de estreia do autor, "Festa no Covil". A nova narrativa traz as memórias de Orestes, personagem que recorda seu período de pré-adolescência vivido na década de 60.
Além desse debate, ocorrerão outras atividades ao longo do dia, a começar pelo projeto de extensão "Um dedo de prosa nas escolas", que, às 9h, terá presença do escritor Marco Fabiani conduzindo um bate-papo sobre literatura com alunos do Colégio Estadual Benjamin Constant. Às 18h, dois livros serão lançados no Cemitério de Automóveis: "Crônica de uma grande farsa", dos jornalistas José Maschio e Luiz Taques, e "Proesia" de Cesar Augusto de Carvalho.
Às 20h30, após a mesa com Terron e Villalobos, o escritor Domingos Pellegrini faz uma palestra em homenagem à sambista e ativista "Dona Vilma" Santos de Oliveira, a mãe de santo "Yá Mukumby" assassinada brutalmente em agosto passado. O objetivo é promover uma discussão sobre diversidade étnica e cultural.
O público conta ainda com atrações diárias no local, como a feira de livros, mostra de vídeo poema, exposição de poesias de autores paranaenses ilustradas pelo artista plástico Boni e outra exposição com textos e ilustrações dedicadas ao poeta e jornalista Alexandre Horner, morto em junho passado. Toda a programação é gratuita.

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