LONDRIX 2007 - Londrina no tempo das letras
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Os apocalípticos decretaram, há tempos, o declínio do livro e da leitura. Contrariando seus agourentos prognósticos, porém, multiplicam-se festivais literários pelo País. O ''Londrix'', criado há dois anos em Londrina, chega à terceira edição tentando movimentar o universo local das letras com uma extensa programação que abrange lançamentos, debates, oficinas, shows e diversas atividades para crianças.
''Crescemos em produção e organização mantendo a proposta original que é a de promover a reunião de autores locais e de outras regiões do País para debater idéias. É um festival de continuidade'', diz a coordenadora-geral Christine Vianna. Os escritores Cristóvão Tezza e Nelson de Oliveira são as principais atrações de hoje. Os dois lançam livros na Tenda de Eventos da Concha Acústica e participam do debate ''O Romance Contemporâneo Brasileiro'' na Sala José Antônio Theodoro.
Tezza, 54 anos, é um dos autores mais comentados da temporada. O motivo é a repercussão provocada pelo seu novo livro, ''O Filho Eterno'' (Record), aclamado pela crítica. O romance narra a relação de um pai com seu filho especial. Como o protagonista, o autor tem um filho com síndrome de Down, o que transformou a obra numa espécie de ''acerto de contas'' com sua própria experiência na vida real.
Para evitar o tom memorialista e não incorrer em apelos autobiográficos, Tezza decidiu escrever um livro de ficção em terceira pessoa alçando a imaginação ao primeiro plano da escrita. ''O Filho Eterno'' chega às prateleiras simultaneamente à reedição de outros três de seus livros: ''Trapo'' (1988), ''O Fantasma da Infância'' (1994) e ''Aventuras Provisórias'' (1989).
Nascido em Lages (SC), o escritor vive desde os 10 anos de idade em Curitiba, onde é professor de língua portuguesa na Universidade Federal do Paraná. Autor de mais de 10 títulos, faturou o Prêmio da Academia Brasileira de Letras como melhor romance brasileiro de 2004, com seu livro ''O Fotógrafo''. Há quem aposte que ele aumentará sua coleção de prêmios com ''O Filho Eterno''.
Companheiro de Tezza na mesa-redonda e na sessão de autógrafos, Nelson de Oliveira ''é a melhor porta de entrada para o que se convencionou chamar de Geração 90''. A definição é do crítico, ensaísta e ex-editor da revista Cult Manuel da Costa Pinto no livro ''Literatura Brasileira Hoje'' (Publifolha), no qual traça um painel da diversidade pulsante nas letras nacionais contemporâneas.
A expressão ''Geração 90'', aliás, foi difundida por Oliveira ao organizar as antologias de contos ''Geração 90 - Manuscritos de Computador'' (2001) e ''Geração 90 - os Transgressores'' (2003). Nascido em Guaíra (SP), ele é formado em artes plásticas e tem mestrado em Letras. Publicou mais de 20 livros para adultos e crianças, entre eles ''Naquela época tínhamos um gato'' (coletânea de contos que marcou sua estréia na ficção, em 1998), ''Subsolo Infinito'' (romance, 2000) e ''O Filho do Crucificado'' (contos, 2001).
Um de seus títulos, ''Às moscas, armas!'', só saiu na internet em formato e-book. Hoje, no Londrix, ele lança o volume de contos ''Ódio Sustenido'' que acaba de pular dos fornos da editora Língua Geral. Num depoimento publicado na coletânea ''Escritores - Entrevistas da Revista Submarino'' (Editora Limiar, 2002), o autor fala um pouco de sua proposta estética salientando que não gosta de se repetir:
''Sempre procuro novos vespeiros para cutucar'', diz. ''Às vezes encontro, às vezes não. Romper com o cânone realista é algo que já foi exaustivamente feito nos últimos cem anos. Quando noto que todos estão fazendo uso do mesmo jargão, das mesmas palavras de ordem que os simbolistas gritavam ainda no século dezoito, dou meia-volta e vou no sentido contrário. Passo a flertar com as normas que até então combatia. Faz parte de uma partida de xadrez muito particular, em que hora sou as brancas, ora as pretas. No fundo, creio que ninguém rompe com a linguagem. Somos rompidos por ela''. O Londrix começou.
HOJE NO LONDRIX
Feira de Livros
Quando - Hoje a domingo, das 10h às 21h
Onde - Concha Acústica (Praça 1º de Maio)
Oficina de Kirigami, com Ângelo César Meneguetti
Quando - 10h às 12h
Onde - Concha Acústica (Praça 1º de Maio)
Contação de histórias, com Pati dos Bonecos
Quando - das 14h às 15h30
Onde - Concha Acústica (Praça 1 de Maio)
Leitura Dramática
Quando - 16 horas
Onde - Concha Acústica (Praça 1º de Maio)
Oficina ''Leituras de Mundo: Práticas Interpretativas'', com Valdir Grandini
Quando - 15h às 18h
Onde - Biblioteca Pública Municipal (Av. Rio de Janeiro, 413)
Debate ''O Romance contemporâneo brasileiro'', com Cristóvão Tezza e Nelson de Oliveira
Quando - 19h30
Onde - Sala José Antônio Theodoro - Secretaria Municipal de Cultura (Praça 1º de Maio)
Lançamento dos livros ''O Filho Eterno'', de Cristóvão Tezza; e ''Ódio Sustenido'', de Nelson de Oliveira
Quando - 20h30
Onde - Tenda de Eventos - Concha Acústica (Praça 1º de Maio)
Sarau na Madrugada com Christine Vianna, Edna Aguiar e convidados
Quando - meia-noite
Onde - Vila Cultural Cemitério de Automóveis (Rua João Pessoa, 103, travessa da Rua Quintino Bocaiúva)


