Para os escritores, músicos e produtores londrinenses, acabaram-se os tempos de fundo de prateleira. Sancionada em 1º de março pela Câmara de Vereadores de Londrina, a lei municipal 11.493 obriga que, até o dia 1º de junho, a produção cultural local assuma, obrigatoriamente, uma posição de destaque, e com uma prateleira específica, em livrarias, lojas e bibliotecas da cidade. ''É beneficial para a cultura, sem dúvida nenhuma. Este projeto tem uma finalidade simples, mas muito importante, que é a de colocar em evidência obras de autores londrinenses'', declara o vereador Gérson Araújo, endossando o projeto de lei de autoria de Márcio Almeida.
Em linhas gerais, a medida tem como objetivo sublinhar a produção cultural local. ''Existe muita cultura na cidade que não consegue ser exposta. Exatamente por isso a medida é especial. O propósito maior é de dar uma força para nossos autores, especialmente os menos conhecidos'', afirma.
Para o escritor Domingos Pellegrini - um dos idealizadores do projeto - a aprovação da lei é justificada, principalmente, pela necessidade de espaços privilegiados nas lojas que comercializam produtos culturais. ''Hoje, por exemplo, as livrarias estão atulhadas de best-sellers na área de autoajuda, de administração, e de tantos outros gêneros. Estes são os livros que ficam expostos, com a capa, para todo mundo. Enquanto isso, outras obras, de autores londrinenses, ficam escondidas'', aponta Pellegrini, destacando que a grande concorrência nas estantes acaba por desvalorizar a produção local. ''Agora, as obras de autores locais, que não são muitas, vão ficar todas em um lugar só, em uma prateleira específica e identificada. Isso facilita a procura do consumidor, promove a cultura local, e justifica o investimento feito pelo município através das leis de incentivo'', declara.
Ressaltando a importância social da aprovação desta lei, Pellegrini acredita que a iniciativa também se revele uma boa fonte de lucro para as livrarias - que, hoje, permanece escondida nas entrelinhas. ''Não é um material ruim, comercialmente falando. Existe espaço, existe um público cativo para estes livros. Se eles ficarem expostos em lugares adequados, serão vistos e vendidos'', prevê o escritor, apontando que a proposta contribui imensamente para a formação de uma riqueza cultural na cidade.
''Apenas na relação de livros contemplados pelo Promic, existem vários estilos: biografias, histórias de bairros, de romances, de famílias, de empresas. Muita gente vai se interessar por isso. As livrarias, com o tempo, vão perceber que expor corretamente o material local é uma ótima estratégia comercial'', completa.

Imagem ilustrativa da imagem Londrineses em destaque nas prateleiras
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