Londrinenses organizam movimento anti-Virada
A escalação dos artistas pela Secretaria de Cultura do Estado do Paraná gerou mal-estar entre os músicos londrinenses, que se manifestaram nas redes sociais
contra a exclusão de atrações locais no evento.
A representante da pasta (em Londrina), Renata Mele, explica que a proposta original da curadoria previa três atrações de fora e duas do município no palco da "Virada Cultural". "Isso não foi possível porque a Secretaria de Londrina alegou não haver verbas para pagar os cachês de bandas locais", diz ela.
A secretária de Cultura de Londrina, Solange Batigliana, confirma a declaração. "De fato, ficamos impossibilitados de contratar bandas para tocar porque todos os recursos a serem utilizados teriam que vir do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura), cujo orçamento não previa a Virada já que foi feito no ano passado. Assim, sem recursos, não poderíamos chamar bandas para tocar de graça, sem cachês. Não seria um caminho adequado, mesmo porque os músicos londrinenses têm debatido bastante a questão de sua profissionalização no mercado", diz.
Dos 12 municípios integrados à "Virada", oito terão palcos alternativos com bandas locais. Solange lembra que a curadoria prevê a circulação de bandas por todo o Estado. "A londrinense Terra Celta, por exemplo, tocará em Maringá", ressalta.
As bandas, porém, planejam um evento intitulado "Verdade Cultural" como uma resposta à "Virada Cultural". Uma série de shows em diversos pontos da cidade está provisoriamente marcado para o dia 30 de novembro. Casas de shows, bares e espaços públicos serão ocupados. O músico e produtor Luke de Held encabeça o movimento.
"A intenção é organizar um evento multipalco espalhado pela cidade com apresentação de dezenas de artistas congregando todos os gêneros musicais. Não será um show de protesto, mas de autoafirmação, um marco de independência artística em relação às imposições do Estado", assinala ele.
Para Luke, "faltou transparência nos critérios de seleção dos artistas" da Virada. Ainda segundo ele, os valores pagos às atrações (disponíveis para consulta do Diário Oficial) estariam muito além do que comumente acontece em negociações entre particulares. "O normal seria o Estado contratar a um preço muito mais em conta que numa negociação particular, entretanto e paradoxalmente ocorre o inverso. Com os milhões de reais que estão sendo pagos por todo o evento conseguiríamos fazer uma grande festa em pelo menos 50 cidades do Paraná."
A Secretaria de Estado da Cultura, por sua vez, distribuiu uma nota à imprensa argumentando que os valores divulgados não seriam exclusivamente de cachês, mas embutiriam custos de passagens aéreas, hospedagem, alimentação e transporte utilizados pelos músicos. O evento acontece em 12 municípios, e o investimento total foi de R$ 5 milhões. (N.S.)





