Londrinenses inovam música eletrônica
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terça-feira, 08 de maio de 2007
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Foi só um show, até agora, na cidade. E, naquela ocasião, não havia muitas testemunhas para conferir o que os integrantes da banda Spyzer garantem ser uma experiência inovadora no cenário da música eletrônica brasileira.
O fato é que o quarteto londrinense reivindica o pioneirismo de seu projeto sonoro, batizado ''Electro Live Act'', no qual executa seus instrumentos ao vivo produzindo timbres, melodias e batidas diante da platéia. ''É um novo conceito de show nesse segmento'', diz o percussionista Jay.
O grupo foi criado há 5 anos como uma banda de pop-rock (Black Tie). Após muita pesquisa, redirecionou o interesse para a música eletrônica consumando a guinada no começo desse ano com a aquisição de todo o aparato de palco. ''Investimos muito na aparelhagem, inclusive com material importado'', salienta o músico.
Além de Jay, a formação do Spyzer traz VJ Lhux, André e Rick. O novo ciclo tem surpreendido até os entusiastas da banda. Em apenas quatro meses, o Spyzer já ostenta uma agenda regular de shows. O roteiro dos próximos três meses inclui apresentações em várias regiões do País incluindo Cascavel (PR), Marília (SP), Jaraguá do Sul (SC), Brasília (DF) e até Palmas (TO).
Há pouco, a banda gravou um DVD com o registro de uma apresentação no interior de São Paulo. ''As pessoas ficam desconfiadas quando falamos de nosso projeto. Só acreditam quando mostramos o DVD'', conta Jay. Segundo ele, a proposta do grupo diferencia-se do 'live PA', em que um DJ faz a mixagem de batidas, efeitos e músicas ao vivo.
''É diferente também de shows em que um DJ se apresenta ao lado de um VJ, ou acompanhado de um percussionista ou um saxofonista para dar um perfil mais orgânico às execuções. Nós incorporamos isso tudo, mas adicionamos outros elementos ao espetáculo. Se o DJ tem conhecimento tecnológico, nós unimos o conhecimento tecnológico ao musical'', sublinha.
Adepto do electro house, o grupo usa bases eletrônicas, mas distingue-se da concorrência ao reunir músicos no palco tocando sintetizadores, guitarra, percussão, sax, flauta, vocoder (processador de voz), um didgerido (instrumento de sopro aborígene australiano, confeccionado em madeira e considerado por alguns estudiosos como o primeiro instrumento da humanidade) e ainda um grand pan.
Este último foi projetado pelos próprios integrantes. Trata-se de um instrumento de grande dimensão, feito com canos de PVC e que produz o som do baixo. Além da parte sonora, o VJ Lhux é responsável por mixagens de vídeo também ao vivo. O set do grupo reúne produções próprias e remixes de outros artistas de electro house.
''O electro house é um ritmo mais enxuto, mais lento (130 a 133 batidas por minuto), com linhas de baixo rasgadas e cadenciadas. Geralmente, abre e fecha as raves, embora seja mais executado em ambientes fechados (in door)'', assinala.
De acordo com o percussionista, Londrina está a um passo de viver um ciclo de euforia na área de música eletrônica. ''Há DJs muito bons, e o mais interessante é que eles passaram a produzir suas próprias composições também. Acredito que, brevemente, a cidade poderá se transformar num pólo nacional do segmento'', enfatiza.
Tanto otimismo tem um pé no movimentação que agita o circuito. Três faixas do grupo foram selecionadas para integrar uma coletânea virtual do selo Muzenga Records, pilotado pelo DJ e produtor londrinense Fernandinho ZZZ, e que contará ainda com composições dos DJs Xandex (de Maceió-AL) e Heleno (Porto Alegre-RS).
A coletânea deverá estar disponível até o final deste mês. Mas quem quiser conhecer o projeto ou o som do grupo, pode acessar sua página no MySpace (www.myspace.com/spyzerproject) ou o site da Fiorucci (www.euquerofiorucci.com.br), no qual uma de suas músicas virou tema oficial da grife italiana.


