A vida do londrinense Valter Koiti Saito mudou, de um dia para o outro, no Japão. No último sábado, ele venceu o mais importante festival de calouros do país - o NHK Nodojiman.
Para ser ter uma idéia da façanha, sair vitorioso desse concurso equivale a receber o status de melhor cantor amador do mundo. ''Realizei um sonho de 20 anos, que é o tempo em que estou aqui. Sempre quis pisar no palco daquele auditório'', conta ele, por telefone, assustado com o terremoto que sacudiu o Japão horas antes.
Saito disputou a final com outros 15 concorrentes. Interpretou a canção romântica ''Hana No Toki, Ai No Toki'', um sucesso dos anos 80 gravado pelo cantor Maekawa Kiyoshi. Seus pais estavam na plateia ao lado dos amigos. ''Todos eles foram torcer vestindo camisetas amarelas'', conta.
Ele é o terceiro brasileiro a conquistar o troféu. No ano passado, o paulista Roberto Casanova havia vencido a competição. Em 1993, fora a vez do maringaense Joe Hirata. ''O festival é diferente de um concurso de karaokê. Cantamos com banda ao vivo. Não é playback'', avisa. O evento é promovido pela rede de televisão NHK, a maior do país, sendo o mais antigo do gênero no mundo estimulando vocações musicais desde 1946.
Consiste de várias etapas regionais realizadas ao longo do ano inteiro. Em 1995, Saito participou de uma edição do concurso sagrando-se campeão da região de Saitama - mas não conseguiu ultrapassar as outras fases. Desde o último fim de semana, porém, é o dono do troféu máximo do NHK Nodojiman tornando-se um rosto conhecido na terra do sol nascente.
Em Londrina, virou motivo de alegria na escola de canto de Mity Shiroma, que ele frequentou durante 4 anos na adolescência. ''Viu como um menino tímido, duro como um poste, pode ultrapassar os seus limites e chegar a ser o melhor cantor amador do Japão?'', brinca Mity. Saito deixou Londrina aos 18 anos. Desembarcou no Japão em 1990 acompanhado dos pais e da irmã - todos como dekasseguis.
Nos primeiros anos deu duro como operário de fábrica e hoje é funcionário de um banco brasileiro lá instalado. Durante todo esse tempo, nunca deixou de cantar. Nas horas de lazer, participou de festivais de karaokês e apresentou-se em bares de imigrantes brasileiros. Tentou, sem sucesso, seguir a carreira artística como cantor.
Agora, após vencer o festival, aguarda novas oportunidades. ''Tenho vontade de cantar profissionalmente, mas isso depende das chances que aparecerem. As condições e o destino é que vão apontar os caminhos'', assinala. Saito mora na cidade de Kawaguchi, na província de Saitama, vizinha de Tóquio. Assustado com o terremoto, conta que sentiu o tremor nos prédios.
''Mas está tudo bem com minha família'', tranquiliza. Os pais - que haviam retornado ao Brasil quatro anos atrás - ficam até o fim de março no Japão. Eles viajaram especialmente para ver o filho ao vivo na grande final. Tiveram a surpresa de vê-lo levantar o troféu.

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