Tradicionais no Japão, os concursos de canto da rede estatal japonesa NHK têm também um público cativo entre os nipônicos e até mesmo no Brasil, através da NHK World Premium, transmitida via cabo. Unindo esse interesse dos brasileiros (e latinos em geral) e a intenção de promover uma integração maior desses estrangeiros à sociedade, a emissora criou o Latino Nodojiman, um concurso (de músicas japonesas) voltado especificamente para os latino-americanos que moram no Japão.
E o grande vencedor da edição deste ano foi um londrinense. André Matsumoto, 29 anos, superou os outros sete candidatos (quatro brasileiros, uma peruana, um colombiano e uma boliviana) na final, realizada no último domingo na cidade de Seto (província de Aichi), em um auditório com cerca de 2 mil pessoas. O concurso será transmitido em horário nobre no dia 18 em sete províncias. No Brasil, a transmissão pela NHK World deve acontecer no dia 29.
''Eu já me considerava vitorioso e satisfeito pelo simples fato de poder participar do programa. Vencer foi um complemento especial à minha felicidade'', revela André, que até então nunca tinha participado de nenhum outro concurso do gênero no Japão.
Ele cantou a música Arigatou Kansha, e dedicou a vitória a seus pais. ''A música trata sobre gratidão, gratidão às pessoas que encontramos em nossas vidas, que aborrecemos e preocupamos. Ou seja, é um agradecimentos aos pais, irmão e amigos que nos apoiaram, apóiam e sempre apoiarão durante nossa jornada da vida'', comenta.
Vivendo no Japão há três anos, o cantor passou duas semanas no Brasil no mês passado para visitar o pai, que havia adoecido. Quem também passou pela casa dos Matsumoto foi uma equipe da própria emissora NHK.
Eles gravaram um depoimento dos pais do jovem, para ser exibido durante o concurso.
Para André, eventos como esse são de extrema importância para os estrangeiros que vivem no Japão. ''É uma oportunidade única de poder mostrar ao povo japonês o lado humano e artístico tão singular que nós brasileiros temos'', analisa.
Formado em engenharia elétrica, André sempre tratou a música como hobby. Ele começou a estudar canto aos 11 anos, estimulado pelos irmãos, que já cantavam. Não demorou para começar a participar de concursos de karaokê Brasil afora, mas esta é a primeira vez em que fica em primeiro lugar. Mais de 100 candidatos se inscreveram para o concurso.
O grande número de interessados, nipo-brasileiros em sua maioria, não surpreende nem lá nem aqui. Por mais que a febre do karaokê no Brasil já tenha passado, os descendentes de japoneses (e mesmo os não-descendentes) continuam mantendo a tradição dos concursos de canção japonesa, principalmente no Paraná e em São Paulo. O maior deles, apelidado de Brasileirão, que reúne os melhores de cada canto do País em várias categorias, todos os anos tem mais de 700 concorrentes. O curioso é que, assim como André, a grande maioria dos participantes não domina o idioma nipônico. Mas isso não interfere em seu gosto pela cultura e músicas japonesas.

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