Londrinense rouba a cena
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quinta-feira, 14 de março de 2002
Francelino França<br>Reportagem Local 
Londrina continua exportando talentos na área teatral. Desta vez, o nome do cenógrafo e arquiteto Gelson Amaral, 36 anos, ganhou repercussão nacional no Prêmio Shell 2001, versão carioca. O londrinense recebeu no último dia 12 o prêmio de melhor cenografia, juntamente com Paulo de Moraes, pelo espetáculo Da Arte de Subir em Telhados, com o Armazém Companhia de Teatro.
Com 20 cenários no currículo em breves cinco anos Gelson Amaral vasculhou a memória afetiva para conceber o desenho de cena. Nessa viagem ao passado, ele se deparou um antigo abatedouro de gado da cidade. As paredes de azulejos brancos e insalubres reapareceram no palco. Na peça, a princípio, o piso é o telhado. O clima de ludicidade encontra numa cortina de filó preta o elemento ideal. A partir do momento em que os personagens caem do telhado para o interior da casa, todo o espaço cênico se torna um desvio para o branco. Ainda compõem o cenário premiado um céu estrelado confeccionado com fibra ótica e um banco estilo namoradeira invertido, para que o público que está dividido em dois grupos possa assistir aos dois atores da cena.
Gelson Amaral concorreu ao Shell com o mestre J. C. Serroni, um dos mais conceituados cenógrafos brasileiros. Em 1996, o londrinense estudou cenografia no Centro de Pesquisa Teatral, dirigido por Antunes Filho e coordenado por J. C. Serroni. Dessa fase, a experimentação de novos materiais ficou como herança teatral. No restrito mercado da cenografia, ele aponta a falta de mão-de-obra especializada como um dos maiores problemas do setor.
Na lista de desenhos de cena com a assinatura de Gelson Amaral destaque para Alice Através do Espelho, cuja primeira versão aconteceu em 1999, com alunos da Escola Municipal de Teatro, de Londrina. Paulo de Moraes, o diretor, ainda realizou mais duas montagens da peça, que recebeu prêmio de cenografia da Cultura Inglesa do Rio de Janeiro. Com o Armazém Companhia de Teatro, o cenógrafo londrinense trabalhou em Out Cry, de Tennessee Williams, e Sob o Sol em Meu Leito Após a Água, de Paulo de Moraes e Maurício Arruda Mendonça. Na EMT, dentre várias montagens, participou de A Visita da Velha Senhora, direção de Adriano Garib. No ano passado, Gelson concebeu o cenário de Anti-Nelson Rodrigues, direção de Edson Bueno, em Curitiba.
O caminho para o amadurecimento da linguagem do cenógrafo Gelson Amaral aconteceu diversificando trabalhos e suplantando as propostas dos diretores. Quando trabalho com diretor que não conheço, procuro uma relação integrada com as idéias do diretor. É um desafio trabalhar com pouca verba, admite. A linguagem estética de Gelson Amaral se caracteriza pela síntese de informações, para complementar o trabalho do ator, e o movimento, porque o cenário nunca é estático, precisa envolver o ator. Para ele, o cenário é indispensável e inútil ao mesmo tempo. A cenografia tem de passar a sensação do objeto, criando a atmosfera, resume.


