Londrinense no Museu Mundial
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Célia Polesel<br> Reportagem Local 
Um museu para abrigar obras do mundo inteiro será inaugurado este mês na cidade de Vitória, em Durango, no México. E a obra Etnia III, da artista plástica londrinense Maria Terezinha Lima, foi selecionada para fazer parte do acervo do Museu de Arte Mundial Antonio Gualda y Diana Franco.
A obra faz parte de uma série de 10 quadros sobre povos nativos do mundo inteiro. ''O quadro que foi selecionado mostra o integrante de uma tribo africana muito semelhante aos nossos índios. Eles usam penas e cocares, o que não é muito comum naquela região que costuma utilizar ossos e pedras em seus enfeites.'' Para fazer suas obras a artista conta que costuma pesquisar muito sobre o tema escolhido.
Etnia III foi primeira para a Espanha participar do concurso Compositor Antonio Gualda. O quadro concorreu com 151 obras do mundo inteiro e ficou em terceiro lugar. Maria Terezinha conta que o trabalho foi exposto no Canadá, na Itália e na França e só então foi selecionado por Antonio Gualda para integrar o acervo do Museu Mundial do México.
Maria Terezinha tem obras expostas em museus de vários países como Portugal, França, Estados Unidos, Itália, Canadá, México, Espanha, Áustria, Tailândia e também em vários estados do Brasil. Ela diz que sempre envia obras para salões de arte e normalmente é selecionada e nesses locais há olheiros que acabam convidando para expor em outros locais.
As obras da artista têm como características as cores fortes, as expressões marcadas das figuras humanas e a abundância da fauna e flora brasileiras. Ela atua em Londrina desde 1983 e explica que a arte começou com um hobby e sempre foi marcada pelas questões ligadas à natureza e também pelo que está acontecendo no mundo. ''É uma forma de falar o que penso sobre o que está acontecendo com a natureza e com as pessoas. Minhas obras têm a ver com a vida no planeta'', ressalta.
Ela também é autora de vários projetos artísticos realizados junto com o Museu de Arte de Londrina e desenvolve oficinas de pintura gratuitamente para crianças e idosos da cidade. ''Esse é um trabalho de que gosto muito porque dá a chance de levar questionamentos e ensinamentos de uma forma diferenciada. Acredito que esse seja o lado cidadão da minha arte.''
Maria Terezinha explica que a arte dela tem quatro lados: o da família, que ela valoriza muito; a arte feita com amor, a forma de expressar o amor e a preocupação com o planeta; a cidadania, no trabalho que desenvolve com crianças e idosos e o profissional, que garante os recursos necessários para que possa realizar todos os outros.
Como lado profissional ela conta os quadros que faz sob encomenda, principalmente para hotéis. ''Nesse caso faço o que o cliente pedir, visito o local, vejo a decoração, em alguns casos apresento um esboço para que o arquiteto possa escolher o que melhor se adapta à proposta do local.''
No arte feita com amor, estão obras questinadoras da artista que às vezes incomodam porque mostram um lado que as pessoas gostariam que ficasse fora da arte. Em muitos de seus quadros ela mostra a violência, a fome, a exploração sexual, o trabalho infantil. ''Quando vou expor onde há um curador geralmente eles tiram essas obras dizendo que elas são feias, mas o que ocorre é que elas mostram uma realidade que nem sempre queremos ver.''
Para ela a arte tem a capacidade de mover e mudar o mundo. ''É uma outra maneira de denunciar e refletir sobre os problemas que estão no cotidiano do planeta. Toda forma de arte tem o poder de levar a essa reflexão. A minha arte tem essa proposta de fazer as pessoas pensarem, refletirem sobre os problemas.''


