Londrinense forma-se médico na Argentina
O jovem Leonardo Piraino, filho de Roberto Piraino, está em Londrina, a passeio e visitando a cidade onde nasceu. Formado em medicina, em 95, pela Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, está fazendo residência em cirurgia geral no Hospital Fiorito, em Buenos Aires, onde permanecerá mais um ano e meio. Leonardo quer mesmo é se especializar em cirurgia cardio-vascular.
O vestibular
Leonardo concluiu o primeiro grau em Londrina. Em 85, a família mudou-se para Buenos Aires. Fez, então, o colegial em Quilmes. São cinco anos, mas entrou no terceiro, tendo, porém, que estudar além das matérias do ano, dez equivalências. Entre elas, a história da Argentina, a língua castelhana, instrução cívica e caligrafia. Depois, Leonardo participou do curso de verão, de três meses, na Universidade Nacional de La Plata. Estudou bioquímica e biologia. Aprovado no curso de verão, foi automaticamente classificado para ingressar na Universidade. Lá não há vestibular como aqui em Londrina. É mais seletivo, pois se você quer ser médico, estuda matérias afins e presta os exames sobre elas. A Universidade de La Plata tem mais de 100 anos.
O ensino médico
A Argentina tem 80 mil médicos, para uma população de 34 milhões de habitantes. A taxa de natalidade mais baixa da América Latina é a portenha. E tem também o menor índice de analfabetismo do Continente. As mais famosas Universidades argentinas são as de Buenos Aires e a de La Plata. Não confundir: La Plata é a capital da Província de Buenos Aires.
É difícil se formar médico na Argentina. Os exames finais são orais e são feitos por uma comissão de professores. E há provas práticas: você examina o paciente, fala com ele, na frente do professor e pede ao aluno para fazer o diferencial sobre o doente. Pergunta tudo. Um exame dura de uma hora e meia a duas horas. Na matéria de clínica médica, depois de aprovado nas cinco provas parciais, você vai para a final. Você faz outra prova escrita, se passar, faz a prática, com o doente, na cama do paciente, respondendo a perguntas ao professor. Se for aprovado, voce fará o exame oral, com outra equipe de examinadores. Responde a 40 itens. Dos 300 alunos que fizeram o curso de verão com Leonardo, 150 ficaram fora. E com ele, apenas mais quatro concluiram o curso. Os demais foram ficando pelo caminho.
Na residencia
Para ingressar na residência médica no Hospital da Província de Buenos Aires, Leonardo Piraino concorreu com 80 outros médicos. Primeiro olham as notas de todo o curso. Leonardo ficou em segundo lugar entre os onze classificados. Escolheu então o que achou ser o melhor a cirurgia.
Buenos Aires
Morando ha dez anos em Buenos Aires Leonardo conta que a capital argentina está muito bonita. A grande Buenos Aires está com 12 milhões de habitantes. Surgiram muitos shoppings. O shopping Auto Palermo, na avenida Santa Fé, bem central, é o mais famoso. A rua Florida está bonita, com grande movimentação,
foi a primeira ser fechada só para o público, isso nos anos 50. Portanto, o calçadão de Curitiba e aqui de Londrina, tiveram Buenos Aires com referência. Buenos Aires abre o comércio às 8 e fecha às 22 horas. Mas no restante do país, o comércio fecha das 12 às 16 horas, para a famosa siesta.
E fica aberto até 22 horas. Isto o presidente Carlos Menem não mudou.
A vida noturna
A vida noturna é fantástica. Para os jovens como o médico Leonardo Piraino e também para toda a população. Se gosta de teatro, cinema , cafeterias, discotecas, confeitarias, o lugar é Buenos Aires. As casas de tango continuam a atrair os turistas e argentinos também. Os mais adultos tomam vinho, ouvem tango e choram. A mulher argentina continua se arrumando muito bem, charmosas, bem maquiladas. Elas usam muito roupas pretas. Loiras e morenas. A mulher argentina continua muito bonita. A Costanera (que margeia o rio La Plata) está repleta de restaurantes e casas noturnas. Caminito, no bairro do Boca, continua bem colorido, está do mesmo jeito de 40 ou 50 anos atrás. Muito visitado.
Casa Rosada
A Casa Rosada continua sendo rosada. Na época que fizeram a casa Rosada, pintaram com cal misturado com sangue de boi, como faziam os uruguaios de Colônia, descendentes de portugueses, que fica do outro lado do rio La Plata, exatamente a 45 minutos de haliscafo, que é um barco bem veloz, que transporta passageiros e carros. A sede do Governo argentino ficou rosada até hoje.
Xuxa faz sucesso
O presidente Menem gosta da Xuxa, como todos os argentinos gostam dela. Quando Xuxa vai a Buenos Aires (já teve programa no Canal 11 e deve voltar, em 97, para o Canal 13) a população fica nas ruas, em quase toda a extensão do aeroporto de Ezeiza até Buenos Aires, que dá 25 quilômetros. Ficam histéricos quando a vêem. Às vezes parece que não, mas os argentinos adoram o Brasil. Leonardo conta que eles sempre querem vir para o Brasil, passar férias, conhecer cidades e etc. Agora dá para o brasileiro ir para a Argentina. Por isso, Buenos Aires está repleta de pessoas daqui. Ayrton Senna também era muito querido pelos portenhos. Roberto Carlos é outro. Há carros com decalques do famoso cantante. Elis Regina sempre fez sucesso por lá. Wilson Simonal também, e este eu testemunhei.
A carne argentina
Duas coisas o brasileiro faz quando vai à Argentina: comer carne e comprar couro.
Porque a carne é magnífica. É muito melhor do que a carne do boi brasileiro. Já perguntei a razão: a resposta é de que a pastagem é melhor, porque a terra argentina não tem alumínio, não precisa de correção, nem de adubo e o pasto é natural. Por isso, o couro não tem buraco, porque o boi argentino não tem carrapato. As indústrias moveleiras de Arapongas compram couro argentino e uruguaio também. Há muitas churrascarias em Buenos Aires e La Plata. Aliás, na Argentina toda. As mais famosas: Estancia, Los Anos Locos, Empório de La Papa Frita e tc. Há também os restaurantes de La Recoleta, onde estão as maiores casas de shows, um mulherio maravilhoso que lá vai e o cemitério mais famoso, porque lá estão sepultados Carlos Gardel, Peron, Evita e o general Lavalle (nome de avenida famosa), que foi comandante das Forças Armadas portenhas.
Custo de vida
O salário mínimo argentino é de 320 dólares. O quilo de carne de primeira custa até 5 dólares. De segunda, até 2 dólares. Os argentinos pagam 1 dólar por quilo de frango. Mas há auto-service, os self-service daqui, que cobram um dólar por um filé mignon. Aluguel de um apartamento com cozinha, banheiro, sala e um quarto, custa de 320 a 400 dólares mensais, fora os impostos. O custo de vida está caro, comenta Leonardo Piraino. O ingresso de futebol custa de 15 a 25 dólares. O Quilmes, time do seu pai, está na segunda divisão. É a equipe mais velha da Argentina. A cultura argentina é mais italiana. Muita gente ainda fala bastante italiano. Toma-se muito vinho. No almoço e no jantar. Toma-se com água gasosa. Para acompanhar os alimentos. Os vinhos mais finos, tomam depois de comer. A água mineral é excelente: descem da Cordilheira dos Andes, da fronteira com o Chile. Todas são ótimas. Leonardo retorna quinta-feira a Buenos Aires. Tem que trabalhar na segunda. Achou que londrina cresceu muito, tem bastante gente, as ruas parecem que ficaram pequenas, pois está com grande trânsito. Elogiou o café do manhã do Bourbon, onde está hospedado. Deixou um abraço para todos os seus colegas de escola que não encontrou. E disse que ainda poderá voltar a Londrina, para aqui exercer a profissão.





