Jota, o chofer preferido de celebridades brasileiras em Miami, não casou com Consuelo, a dona da pensão mexicana. Não casou com uma mulher brava, como na novela ''América'', de Glória Perez, veiculada pela Rede Globo no primeiro semestre de 2005. Nem casou, na realidade.
O verdadeiro Jota, o londrinense João Geraldo Abussafi, 41 anos, que nasceu e morou por 13 anos em Londrina, cuja vida inspirou a criação do personagem de Roberto Bonfim na trama da TV, está transformando a saga do imigrante brasileiro em terras estrangeiras - que lava louça, limpa banheiros de restaurantes e até, às vezes, dorme na rua - em um negócio de sucesso.
A estrada não foi curta, nem tampouco fácil. Como todos os brasileiros de classe média que, na década de 90 durante o governo Collor, foram para a Flórida atrás de negócios, lá se vão 15 anos de labuta na ensolarada cidade, a mais latina dos Estados Unidos. A transmutação de simples motorista para autor de um guia com os melhores restaurantes e os pontos onde estão os premiados chefs está marcada. ''Dicas do Jota - o seu roteiro de viagem em Miami'' será lançado hoje, às 20 horas, no Hotel Unique, em São Paulo.
Entre seus convidados de honra estão, nada mais nada menos, que Hebe Camargo, a dama da TV brasileira, o casal de atores Edson Celulari e Cláudia Raia, além de empresários como Marcel Telles, presidente da Ambev, e Victor Siaulys, diretor do Hotel Unique.
O livro em tamanho de bolso, fácil de manusear, será também lançado em Londrina, Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília e Fortaleza. Especialmente, em Londrina, sua terra natal, o lançamento será no próximo dia 10, às 20 horas, no Hotel Bourbon. Na contracapa do ''Dicas do Jota'', que sugere onde comprar e onde se hospedar em Miami, estão publicadas opiniões de seis personalidades, entre elas, Glória Perez e Jayme Monjardim, o diretor de teledramaturgia. Este último, inclusive, relembra o famoso bordão de Abussafi: ''Jota, hoje um nome, amanhã uma lenda, quiçá um mito'', que pelas mãos da escritora foi incorporado ao texto da novela.
Aliás, a alegria de Jota nunca passa despercebida para quem tem oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. É uma qualidade que encanta. Como o próprio Siaulys diz na contracapa do livro: ''Cuidado com o Jota. Você corre o risco de se apaixonar por ele e por Miami''. Esta, sem dúvida, deve ter sido a principal razão para que sua empresa de transporte de passageiros de luxo - a Jota One Way Vip Transportation - tenha conquistado o seu lugar ao sol em Miami, além de competência, é claro.
O esforço foi recompensado. Sua simpatia atraiu a atenção de Glória Perez. Numa certa noite, há quatro anos atrás, no final de 2002, Jota recebe um telefonema: ''Quando perguntei quem era, ela respondeu, e eu entendi Carla Perez''. Sem pestanejar, no outro lado da linha, Jota devolve: ''E aqui é a nova loira do Tchan''. Era a escritora. A novela ''O Clone'', que obteve altos índices de audiência na televisão brasileira, tinha acabado e ela queria ir a Miami para descansar. ''Glória ficou lá uma semana'', relembra o londrinense, que foi anfitrião durante sua estadia na Flórida.
Meses depois, em 2003, Glória voltou a Miami para receber o Prêmio Inte, considerado o Oscar da TV latina. ''O Clone'' recebeu o prêmio de melhor novela; Glória Perez, o de melhor autora; e Giovana Antonelli, o de melhor atriz, também por ''O Clone''. ''Curiosa, questionou-me sobre a imigração. Durante o trajeto que fazíamos pela cidade, por causa de um congestionamento tive que mudar o caminho, e por acaso, passamos em frente ao prédio da Imigração, onde 300 pessoas se enfileiravam, ela me perguntou: O que estas pessoas estão fazendo aqui?'', perguntou a autora da Globo. Naquele momento começava o sonho americano de Jota.

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