Londrinense é premiado por estudo sobre Maria Bethânia
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domingo, 14 de fevereiro de 2010
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
Um show pode entrar para a história de muitas maneiras. O antológico ''Rosa dos Ventos'', de Maria Bethânia, foi um marco estético na carreira da cantora, um manifesto contra a ditadura, um grande sucesso de público e acaba de render ao jornalista e dramaturgo londrinense Renato Forin Junior o primeiro prêmio na Sessão Oral de Temas Livres do primeiro Congresso Brasileiro sobre a Arte e o Canto de Maria Bethânia, em Salvador. Detalhe: Forin Junior nasceu mais de uma década depois da turnê, que aconteceu em 1971 e 1972.
O jornalista ganhou o prêmio justamente por pesquisar a fundo todas as nuances que fizeram do ''Rosa dos Ventos'' um show histórico. O trabalho apresentado durante o congresso foi baseado em seu trabalho de conclusão de curso em Jornalismo na UEL, intitulado ''O show Rosa-dos-Ventos: desvendando o processo de significação implícito no espetáculo musical de protesto''. O estudo já havia rendido-lhe em 2007 o primeiro lugar no 12º Prêmio Sangue Novo no Jornalismo Paranaense.
Desta vez, porém, o prêmio teve um sabor especial. ''Eu apresentei para um público de iniciados, receptivo mas também muito exigente com relação à exatidão das informações. E ao final, eles aplaudiram de pé'', comenta, acrescentando que ficou surpreso com a qualidade técnica do congresso. O evento foi realizado pela Associação Rosa dos Ventos Bahia no início do mês para celebrar os 45 anos de estreia nos palcos de Maria Bethânia.
O interesse por esse show específico surgiu na época da faculdade, após Forin Junior ter acesso a uma gravação integral do espetáculo. ''Fiquei emocionado. Primeiro foi uma emoção intuitiva. Depois comecei a entender todos os signos de protesto presentes e achei ainda mais fantástico'', revela.
''Rosa dos Ventos'' foi um show através do qual Maria Bethânia pretendia chamar o irmão Caetano Veloso e o amigo Gilberto Gil de volta do exílio em Londres. Era um espetáculo de protesto, mas que conseguiu passar ileso por 13 censores por ter tido ''uma concepção poética excepcional'', na avaliação de Forin Junior. ''Era um show de música e poesia. E o diretor Fauzi Arap concebeu o espetáculo baseando-se nos elementos naturais do mandala de Jung, dividindo-o em Terra, Água, Eu-Difícil (que representa o humano), Fogo e Ar. Tinha uma aura mística, é como se todos fossem guiados para a produção da beleza'', explica, acrescentando que foi assim que Bethânia pôde cantar versos como ''Meus companheiros também vão voltar'', da Suíte dos Pescadores (Dorival Caymmi).
Para o estudo, Forin Junior entrevistou cerca de 20 personalidades que tiveram algum envolvimento com o espetáculo, como o diretor Fauzi Arap, Caetano Veloso, Chico Buarque, Ferreira Gullar, Fernanda Montenegro e os já falecidos Dorival Caymmi, Augusto Boal e Leina Kraspi. E a pesquisa ainda não terminou: o jornalista aproveitou o congresso para entrevistar Mabel Velloso e a Dona Canô, mãe de Bethânia e Caetano.
Agora, o jovem planeja transformar o trabalho em livro-reportagem, a ser lançado em breve, por meio de lei de incentivo à cultura. Mas seus estudos sobre a arte de Maria Bethânia não devem parar por aí. ''Maria Bethânia é uma fonte inesgotável de pesquisa. Ela fica na encruzilhada entre o teatro, a música, a literatura e até as artes plásticas, em uma nova forma de manifestação artística'', analisa, acrescentando que a cantora acaba influenciando até mesmo seu trabalho como dramaturgo e diretor.


