Vice-campeã do Carnaval de Londrina do ano passado, a Escola de Samba Navegantes do Mar Azul não quer deixar por menos. Em 99, pretende conquistar o título que perdeu por meio ponto. Se depender da garra e força de vontade da presidente da Escola, Margarida Pereira da Silva, a escola já ganhou, por larga margem. Margarida e outras 10 pessoas, entre amigos e familiares, são os responsáveis por toda a confecção de fantasias, alegorias e carros que vão contar domingo, na avenida, os 500 anos da História do Brasil.
Com o enredo ‘‘Na Rota de Cabral 500 Anos de Um País Tropical’’, cujo o samba-enredo tem autoria de Gaúcho, a Navegantes vai levar 300 integrantes, divididos em 10 alas, quatro carros alegóricos e cerca de 15 destaques. O trabalho está em ritmo acelerado para terminar tudo. ‘‘Aqui eu e minha família fazemos tudo. Todos movidos pela paixão ao Carnaval’’, diz Margarida.
A presidente e duas costureiras vêm trabalhando há cerca de três semanas, das 8 às 22 horas, na confecção das fantasias. Os filhos e cunhados se reúnem todos os dias, após o horário comercial, em um barracão na Avenida Leste-Oeste, onde trabalham até as 2 horas da manhã na construção dos carros.
Trabalhando exclusivamente com o dinheiro cedido pela Codel, R$ 13 mil, Margarida acredita que sua escola vai fazer um desfile empolgante. ‘‘Os gastos passam apertadinho, mas dá para pôr a escola na avenida. Temos, é claro, a vantagem de trabalhar por amor, por paixão pelo Carnaval’’, diz. Segundo ela, a única coisa que tira um pouco o brilho é o horário do desfile da escola. ‘‘Nós somos os últimos a entrar, por volta da 1 hora. Não sei se o público vai aguentar esperar’’, lamenta.
Mesmo assim, não se deixa abater e promete levantar a torcida. ‘‘O tema está legal, o samba é bom e a gente está caprichando’’, afirma. Segundo ela, os carros - que vão representar a natureza do Brasil, a Caravela de Cabral, a Independência e o Futuro - vão surpreender pela beleza.
Apesar de toda a paixão, esta, porém, vai ser a primeira vez que Margarida não desfila na ala das baianas, desde a fundação da escola, há quase 11 anos. A responsabilidade geral pelo desfile a impedirá. ‘‘Vou ter que acompanhar tudo de perto, estar em dois lugares ao mesmo tempo’’, conta. Mesmo assim, Margarida acredita que vale a pena. ‘‘A gente se esforça, dá o sangue mesmo, por uma hora de desfile. Mas, ah, como vale a pena’’, conclui.Arquivo FolhaBateria e passista da Escola de Samba Navegantes do Mar Azul no desfile do ano passado: integrantes preparam para 99 enredo que passa pela rota de CabralTelma Elorza

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