Embora em Londrina ainda não tenha uma televisão comunitária em plena atividade, aqui estão sendo desenvolvidos dois projetos ligados à linguagem televisiva que buscam democratizar a informação, tornando-a mais acessível e coerente com a realidade das pessoas que, através dos projetos, também aprendem a produzi-la. Os projetos são viabilizados pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), da Secretaria Municipal de Cultura.
Desenvolvido pelo jornalista Luciano Pascoal, desde 2002 o projeto Vídeo Cidadão é aplicado no Jardim Franciscato, na Associação das Mulheres Batalhadoras. Ele explica que o objetivo principal é ''dar oportunidade às pessoas da periferia da cidade de criar informações relevantes para elas, e não impostas pela mídia convencional''.
Já foi produzida uma série de pequenos documentários que trataram, entre outras questões, do problema do analfabetismo, lixo, meio ambiente e da violência contra a mulher - este utilizado como material didático em encontro sobre o tema realizado recentemente no bairro. O documentário sobre lixo também teve um papel fundamental em denúncia sobre despejo ilegal de entulhos em fundo de vale do bairro. O vídeo faz parte do processo que está sendo avaliado pela Promotoria do Meio Ambiente. Até agora participaram do projeto 40 alunos, com idades que variam de 13 a 50 anos.
Ainda em 2002, Pascoal foi convidado a desenvolver o Repórter Cidadão, projeto estratégico da Rede da Cidadania - que faz parte da política pública da cidade no âmbito cultural -, visando a criação de comunicadores populares. A partir de redações de alunos de diversas escolas da cidade, foram selecionados 14 participantes, de 17 a 28 anos. Além de trabalharem com equipamentos de última geração, eles também aprenderam técnicas de edição. Foram elaborados registros de diversos trabalhos da Rede da Cidadania e peças documentais.
Para este ano está prevista a realização de documentários em comemoração aos 70 anos de Londrina nos bairros e distritos da cidade com os próprios moradores como protagonistas das histórias. Todo esse material ficará disposto em bibliotecas e escolas públicas da cidade para livre consulta e pesquisa.
Com vasta experiência na mídia convencional, Luciano Pascoal explica que o trabalho que está fazendo no momento é o que realmente pode ser chamado de ''comunicação social''. ''É isso que a gente aprende na faculdade e é tão pouco praticado na mídia convencional. Pessoalmente, está sendo uma experiência fantástica e já dá para perceber o quanto os alunos assistem aos programas de maneira diferente, com uma visão mais crítica'', destacou.
(A.P.N.)

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