O Festival Internacional de Londrina chega hoje ao fim de mais uma edição. O encerramento, sem nada de oficial, será com o espetáculo ‘‘Oceano Satanás’’, do grupo francês Jo Bithume. Se chover, a apresentação será cancelada. O que seria uma pena, o festival merece chave-de-ouro.
A segunda fase do FILO reuniu, na cidade, 20 grupos da África, Europa, Ásia e Américas do Norte e Sul. Ao todo, foram 12 dias com 50 apresentações de 22 espetáculos diferentes, além de 11 demonstrações de trabalho. Pela cidade passaram personagens da vida real, como a poeta Miriam Paglia Costa - que lançou o livro ‘‘Notícias do Lugar Comum’’ - e também mensageiros da fantasia, como os atores africanos do grupo Amlima.
Pode-se dizer que o evento deste ano foi dividido em três níveis cênicos: teatro, dança e música. Todos eles - às vezes se confundindo um com o outro - apresentaram ao público as mais variadas vertentes do experimentalismo e busca das linguagens cênicas.
O teatro começou com o pé direito: as almas mortas do espetáculo do canadense Carbone 14 marcaram a abertura do FILO com o rigor técnico de seu teatro de imagens. Os franceses Le Trio Maracassé e Que-Cir-Que trouxeram à cidade as novas dimensões do circo; e os colombianos do Corporación Estudio Teatro deram nova vida a clássicos de Shakespeare e Gabriel Garcia Marques com suas montagens.
O chileno Quarteto arrancou aplausos de pé com seu drama romântico e os peruanos do Yuyachkani mostraram a face fria da morte. O argentino Sportivo Teatral trouxe à cena uma grande metáfora, num dos espetáculos de maior impacto visual deste evento. Para completar, o espetáculo gastronômico-teatral do catalão Zotal Teatre - um dos mais inovadores deste ano - , mexeu com mentes e os cinco sentidos do público.
Os brasileiros foram um capítulo à parte neste Festival. Do polêmico Gerald Thomas e sua Cia. da Ópera Seca à interpretação magistral de um dos maiores signos do teatro brasileiro, Maria Alice Vergueiro, passando pela irreverência dos Parlapatões, Patifes & Paspalhões e pela intervenção cênica-poética do Ventoforte, todos trouxeram trabalhos que podem ser considerados marcos da dramaturgia.
Entrando na área de dança, a companhia brasileira Chamickilener agitou o público com os movimentos provocadores de ‘‘Antônio Caído’’. O espanhol Nats Nuts Dansa, a portuguesa Angela Guerreiro e o esloveno Betontanc mostraram mais que coreografias em espetáculos de apelos cênicos explícitos.
Com sua primeira participação no FILO, a música arrastou e encantou multidões nas melodias dos grupos Londrina Jazz Band, Edwin Pitre & Son Caribe e o grupo de blues Stephen Barry Band. Sem contar a grande dama do jazz norte-americano B.J. Crosby que deixou o público literalmente de boca aberta com seu vozeirão e enorme swing . Uma participação que Londrina torce para que seja incorporada ao FILO nos seus próximos 30 anos.

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