Londrina recebe uma lenda do blues
A premiada cantora americana Deitra Farr mostra por que está no Chicago Blues Hall of Fame
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sexta-feira, 09 de agosto de 2019
A premiada cantora americana Deitra Farr mostra por que está no Chicago Blues Hall of Fame
Marcos Roman - Grupo Folha 
Após conquistar o público londrinense com um show memorável em 2012, a cantora americana Deitra Farr volta a cidade como um dos destaques da programação do 9º Festival Blues de Londrina. A artista que teve seu nome eternizado no Chicago Blues Hall of Fame como Lenda do Blues, em 2015, e foi contemplada com o Koko Taylor Queen of the Blues Award solta sua voz vigorosa nesta sexta-feira (9), às 21h30, dividindo o palco do Bar Valentino com o talentoso guitarrista e cantor paulista Fred Sun Walk.
Com uma carreira extensa dedicada ao soul e ao blues, Deitra Farr vem se destacando tanto como artista solo como vocalista em diferentes formações. Aos 18 anos de idade, à frente do grupo Mill Street Depo, conheceu o sucesso com o hit “You won’t support me.” A carreira solo veio em 1997, com o CD “The search is over.” O segundo disco solo viria em 2005: Let it go!. Mesmo assim, Deitra Farr permanece como integrante do grupo Chicago Wind, ao lado do gaitista Matthew Skoller, entre outros projetos.
Em entrevista por telefone, Deitra Farr lembra do show que fez em Londrina e, especialmente, da boa receptividade do público. Para ela, o blues tem a capacidade de ser compreendido pelas mais diferentes culturas: “O blues é universal. Eu estive em mais de 40 países, a maioria deles não fala inglês, e mesmo assim eles gostam de blues, entendem o sentimento do blues”, ressalta, incentivando os brasileiros a “continuarem ouvindo e tocando blues”.
Cantora, compositora, escritora, pintora, jornalista: Deitra Farr não para. Ultimamente, vem trabalhando em uma autobiografia: “Estou escrevendo um livro sobre a minha própria história, venho trabalhando neste livro há algum tempo, mas ainda não tenho certeza de quando será lançado”, revela. Sua vinda para Londrina é um dos pontos altos desta 9ª edição do Festival Blues, seja pela voz forte e carregada de sentimento, seja pela presença marcante no palco, onde domina a cena com o carisma das damas inesquecíveis do blues.
A noite contará também com o talento de Fred Sunwalk, guitarrista e cantor brasileiro que se destaca pelo groove e pela performance ao vivo. Com mais de 20 anos de estrada, Fred Sunwalk já abriu shows para bluesmen renomados, como Buddy Guy, Carey Bell e Eric Gales, e excursionou pelos Estados Unidos, em 2017, com a saxofonista Vanessa Collier.
Fred Sunwalk vem a Londrina para tocar músicas próprias, registradas em cinco CDs autorais, e releituras de suas grandes influências, como Jimi Hendrix e Buddy Guy.
Elogiado pela técnica com que sola sua Fender, Fred Sunwalk procura um equilíbrio com o sentimento, para manter o foco na expressão. “Você tem que se preocupar muito com a técnica, como se estivesse aprendendo uma nova língua. Quanto mais palavras você adquirir, maior vai ser o seu repertório. Mas se você aplicar somente a técnica, ela se torna uma coisa vazia. E se você tem o feeling e quer se expressar, mas não tem as ferramentas necessárias, também acaba sendo um pouco frustrante. Acho que esse equilíbrio é bem interessante”, destaca o músico, que vive em Ribeirão Preto e mantém um pé na carreira internacional e outro na própria cidade, promovendo e tocando blues.
Suingue nacional
Confira entrevista completa de Fred Sunwalk que divide o palco com Deitra Farr
Como será o show? O que você vai tocar?
Eu vou fazer um repertório mesclando músicas autorais dos cinco CDs e um DVD que eu já lancei, com alguns clássicos. Eu costumo fazer algumas interpretações de Hendrix e Buddy Guy.
Você vive em Ribeirão Preto, uma cidade - como Londrina - muito ligada à cultura rural. Como transportar essa realidade para o blues?
Ribeirão Preto teve uma cultura de música caipira, do interior paulista, muito sertanejo e tal. Em 1997, quando comecei a tocar nos pubs e nos bares aqui na cidade, já tinha uma cena do rock, mas do blues não tinha muito. Essa cena foi se adaptando bem, hoje existem muitos bares de rock e blues pela cidade, e alguns desses lugares inseriram o Dia do Blues na semana, então, hoje em dia, a cena até que funciona bem.
Você já tocou ao lado de grandes nomes do blues, como Buddy Guy. Como o blues brasileiro dialoga com a tradição americana? Você acha que o brasileiro tem um jeito próprio de tocar blues?
Eu nunca tive dificuldades em fazer essa comunicação do blues com os gringos, acho que é uma coisa muito visceral. Essa questão de o blues ser um estilo de música comandada muito através do feeling, acaba sendo uma coisa universal, então não tem muita fronteira. Eu não sei dizer se o blues brasileiro tem alguma coisa diferente, talvez seja o suingue, essa coisa multicultural que o brasileiro tem e que passa para qualquer coisa que ele faça. Com certeza no blues deve ter também, mas não sei explicar o que seria.
Como você vê iniciativas como o Festival Blues de Londrina? Como está o cenário brasileiro de blues?
Acho a iniciativa do Festival de Londrina sensacional, extremamente importante para o blues nacional e também para o internacional, porque o Festival traz artistas de fora. Muitas pessoas acham que não gostam de blues porque não conhecem. Mas quando elas vão ao Festival e passam a conhecer, muitas vezes elas saem apaixonadas pelo estilo. Eu acho que a cena do blues no Brasil cresceu. Se falarmos em dez anos atrás, existia a metade ou menos da metade dos festivais que existem hoje. Vem crescendo e sou bem otimista em relação a isso, o intercâmbio entre os artistas nacionais e internacionais cresceu também, eu vejo um futuro bom. Acho que a coisa tende a melhorar cada vez mais.
(Com assessoria de imprensa)
Serviço:
9º Festival Blues de Londrina - Show com Deitra Farr e Fred Sunwalk
Quando - Sexta-feira (9), às 21h30
Onde - Bar Valentino (R Pref. Faria Lima, 486)
Quanto - R$100 (inteira) e R$50 (meia-entrada)
Pontos de venda - Disk Blues (43) 3357-1392, com entrega em domicílio.


