Dos 1.270 alunos do 22º Festival de Música de Londrina, muitos se aventuram pela primeira vez no norte do Paraná. Atraídos pela tradição do evento, renome dos professores ou indicação de amigos, os calouros do Festival estão ainda num estágio de encantamento com o evento. Esse é o caso de William Gonçalves Santos GSaint, educador musical e musicoterapeuta. Ele vem da costa oeste da África, mais precisamente do arquipélago de São Tomé e Príncipe. Com 140 mil habitantes, São Tomé e Príncipe tem como língua oficial o português, mas impera o uso dos dialetos.
Um amigo da internet enviou a programação do evento. William se interessou e tomou coragem para enfrentar 15 horas de vôo. Ele já participou de outros festivais brasileiros em Curitiba e Campos(RJ). Em Londrina, aproveita para fazer 4 cursos, como os de regência e didática de coro juvenil.
Depois de participar de festivais na Bélgica, Holanda, Cingapura, Ilha de Malta e Brasil, William GSaint garante que os melhores cursos foram feitos no Brasil. ''O brasileiro nasce com uma musicalidade impressionante. Isso é da cultura desse País'', avalia. Nem em tribos africanas a musicalidade é tão presente. De Londrina, ele deve levar na bagagem partituras para suas aulas, abrangendo desde MPB até músicas orientais, judaicas e americanas.
Um dos cursos mais tradicionais do FML difunde o Método Suzuki o método de aprendizagem do violino para crianças a partir dos 3 anos de idade.
A filosofia do Método Suzuki canaliza o aprendizado musical por ouvido, sem a leitura da partitura. Foi esse princípio revolucionário musical que instigou a professora Edite Christmann a fazer sua primeira participação no evento.
''Fiquei sabendo do Festival de Música de Londrina por uma professora do Conservatório de Música Villa Lobos, de Curitiba'', afirma Edite. Ela desconhecia o método, pouco difundido em Curitiba e destaca a importância da figura dos pais no aprendizado, tanto nas aulas como nos estudos em casa. Quem ministra o curso é a americana Grace Field, de Michigan (EUA). Edite Christmann iniciou seus estudos de violino aos sete anos pelo método tradicional. Segundo a curitibana, pelo tradicional aprende quem tem o dom. Pelo Suzuki, ''qualquer criança pode aprender''. Depois da maratona musical em Londrina, Edite pretende aplicar o aprendizado do Método Suzuki no conservatório onde atua como professora.
Marinheiro de primeira viagem, o estudante de designer gráfico Azafi Demétrio de Andrade, de São Paulo, chegou na cidade pelos caminhos do coração. Acompanhando a namorada no Festival, resolveu se matricular nos cursos de construção de instrumentos de percussão e percussão popular e ritmos brasileiros. ''Escolhi cursos que não exigem um conhecimento musical prévio'', afirma.
Azafi já aprendeu a construir o xiquerê, instrumento percussivo feito com cabaça e miçangas. Em breve, Azafi deve botar a mão na massa construindo tambores de pele. Por enquanto, o paulistano não corre o risco de trocar de profissão, deixando o design gráfico e para concorrer com Carlinhos Brown.

mockup