Londrina recebe o primeiro DJ do Brasil
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de agosto de 2018
Mateus Reginato <br> *Estagiário 
O ano era 1958. Aos 25 anos, Osvaldo Pereira - Seu Osvaldo, para os íntimos - começava a trabalhar profissionalmente como DJ em bailes no histórico Edifício Martinelli, no centro de São Paulo. O interesse de Osvaldo, hoje com 84 anos, pela música remonta àa sua infância em Muzambinho, cidade do interior de Minas Gerais, quando acompanhava a irmã em bailes e se encantava pelas canções ouvidas no rádio e nas vitrolas. Quando tinha 12 anos, a família se mudou para São Paulo, fez um curso de rádio por correspondência e começou a trabalhar em uma loja de discos. Nas festas de aniversário e casamento, Osvaldo era o responsável - por livre e espontânea vontade - para trocar as bolachas na vitrola. Logo, o rapaz passou a ser contratado profissionalmente para animar as festas, já que era muito mais barato pagar por um "tocador de discos" do que por uma banda completa. Desde então, Seu Osvaldo - o primeiro DJ do Brasil - nunca mais parou.

Seu Osvaldo estará em Londrina neste domingo (19) para tocar no Baile do LP, festa de encerramento do Festival Atemobil, semana cultural promovida pelo Mobil Club com o tema "Arte, Música e Tecnologia". O evento começou na última quinta-feira (16), com workshops, palestras e shows focados principalmente na música eletrônica, na carreira de DJ e no mercado musical.
Além de Seu Osvaldo, participam do evento Christ Sperandio, empresário, músico e fundador da escola de DJs "Yellow", em Curitiba; Flow & Zeo, G. Felix, Janete El Haouli , Bruno Gehrin, Viniciu Maximus, entre outros profissionais relacionados à cadeia produtiva da música.
Outro dos destaques do festival é a DJ, jornalista, produtora e escritora Claudia Assef. Ela é autora do livro "Todo DJ Já Sambou - Uma História dos Disc-jóqueis no Brasil" (2003) e do livro "Ondas Tropicais" (2017), uma biografia de Sonia Abreu, primeira DJ mulher do Brasil.
Claudia Ressalta que a essência dos DJs continua a mesma, sejam eles os primeiros do Brasil - como Seu Osvaldo - ou os de hoje: "Tem uma diferença brutal na parte tecnológica. Hoje o acesso é muito mais fácil, um DJ consegue montar um repertório num piscar de olhos. Mas algumas coisas não mudam, o feeling, o bom gosto, aquele momento em que você vai surpreender as pessoas que estão dançando. A característica essencial do DJ, que é essa de observar a pista, de tocar para as pessoas e criar sentimentos exclusivos daquela noite, não mudou."
Presença feminina
Neste sábado (18), será realizada também uma roda de conversa com o tema "Presença Feminina na Música", com a DJ Claudia Assef, DJ Nana Torres, DJ Erika Casarin, DJ Anna Ligia, Fabi Nishida, Lohane e Paula Danas.
"Quando eu comecei a tocar, eram algumas gatas pingadas. Eram poucas as DJs mulheres, e sempre naquele horário de abertura. Não tinha uma Anna, por exemplo, se destacando em festivais internacionais", relembra Claudia. "Essas referências acabam puxando uma nova leva, uma nova camada de mulheres que se interessam e que olham para essas 'role models' e pensam: 'pô, eu também posso, então vou me dedicar para chegar lá', e esse papel é fundamental."
Após a roda de conversa, Claudia se junta às DJs Erika Casarin e Anna Ligia para fazer uma festa aos presentes no Mobil Club.
No domingo, às 15h, será realizada uma feira de discos, gastronomia e cultura, e, às 20h, o Baile do LP, como encerramento, com shows do DJ Osvaldo, de Gustavo Veiga, Thales Lima e Anderson Loof.
SERVIÇO
Festival Atemobil
Quando: sábado (18), a partir das 19h, e domingo (19), a partir das 15h
Onde: Mobil Club (avenida Santos Dumont, 1233)
Quanto: R$ 20 por dia
* Supervisão: Célia Musilli
Editora da Folha 2


