Londrina recebe acervo da Funarte
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terça-feira, 23 de maio de 2000
Francelino França De Londrina 
O Filo 2000 abre espaço hoje para a produção editorial reconhecida em todo Brasil, com a exposição de livros do acervo da Fundação Nacional de Arte (Funarte) na Casa de Cultura. A entidade é reconhecida pelo variado número de títulos, mais de 500, entre livros, partituras, CDs e fitas de vídeo. Para a exposição em Londrina a Funarte trouxe 130 títulos sobre música, teatro, dança, cinema e cultura popular. Esse material trazido do Rio de Janeiro ficará à venda até o dia 18 de junho. Após a exposição, 200 livros serão doados ao curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina e constarão no acervo da Biblioteca Central do Câmpus.
Na abertura da exposição, o escritor Márcio Souza, presidente da Funarte, faz o lançamento do livro Fascínio e Repulsa (Estado, cultura e sociedade no Brasil). O livro é resultado dos seminários mensais, promovido pela entidade, tendo como tópico principal a cultura e democracia. Em Fascínio e Repulsa, o autor ressalta dois momentos decisivos nas formulações das políticas culturais. O primeiro se deu com a vinda da família Real ao Brasil, em 1808. A segunda fase teve a implementação em 1937, no governo de Getúlio Vargas.
No primeiro momento em que houve uma sedimentação de política cultural, Márcio Souza explica de que forma germinou no País os conceitos e as visões dos artistas vindos da Europa. Ele constata, o imenso salto qualitativo no país, em grande parte graças à continuidade da atitude do Estado em relação à cultura e ao constante interesse dos monarcas. De que forma o Estado brasileiro exercia essa sua política? No caso da Cultura, centrando-a no artista, destaca. A primeira fase inclui a cultura como parte de conjunto de atividades socioeconômicas, afirma o autor, à Folha2.
Na segunda fase, Vargas estimula seus intelectuais a sistematizar um programa político com forte tintura nacionalista, centralizadora e com a ambição de criar um Brasil novo, reformado, racialmente mais branco, culturalmente ibérico. Nessa fase, o artista sai do centro e passa a ser parte do patrimônio histórico. Mas não se pode promover a evolução social do país, retirando o artista do centro de criação, alega. Hoje, de acordo com o autor, vigora outra alternativa, há uma ruptura desse modelo getulista.
Em Fascínio e Repulsa Márcio Souza também questiona a visão alarmista que ronda os preocupados com o resgate da cultura nacional. O embate é mais complexo e amplo do que achar que nossa cultura é frágil demais e que pode ser esfacelada por outra cultura de fora, argumenta.
Sobre a contradição de que o Brasil possui um mercado editorial de destaque, em relação aos outros países da América Latina, mas um índice de leitura vergonhoso: menos de um livro por habitante/ano, o autor justifica: o sistema nacional de bilbiotecas precisa se atualizar. A dificuldade do acesso, pequenas tiragens que encarecem o livro. É absurdo um livro custar 45% do salário mínimo, como acontece no Brasil, diz.
O amazonense Márcio Souza é romancista, dramaturgo e cineasta. Em sua dramaturgia destacam-se as peças A paixão de Ajuricaba e As Folhas do Latex. Seu primeiro grande romance, Galvez: Imperador do Acre, foi sucesso editorial, traduzido para 10 idiomas. Em sua extensa bibliografia, constam ainda Mad Maria, O Fim do Terceiro Milênio, A Condolência. Seu último romance, Lealdade já vendeu 25 mil cópias.


