O Filo 2000 abre espaço hoje para a produção editorial reconhecida em todo Brasil, com a exposição de livros do acervo da Fundação Nacional de Arte (Funarte) na Casa de Cultura. A entidade é reconhecida pelo variado número de títulos, mais de 500, entre livros, partituras, CDs e fitas de vídeo. Para a exposição em Londrina a Funarte trouxe 130 títulos sobre música, teatro, dança, cinema e cultura popular. Esse material trazido do Rio de Janeiro ficará à venda até o dia 18 de junho. Após a exposição, 200 livros serão doados ao curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina e constarão no acervo da Biblioteca Central do Câmpus.
Na abertura da exposição, o escritor Márcio Souza, presidente da Funarte, faz o lançamento do livro ‘‘Fascínio e Repulsa’’ (Estado, cultura e sociedade no Brasil). O livro é resultado dos seminários mensais, promovido pela entidade, tendo como tópico principal a cultura e democracia. Em ‘‘Fascínio e Repulsa’’, o autor ressalta dois momentos decisivos nas formulações das políticas culturais. O primeiro se deu com a vinda da família Real ao Brasil, em 1808. A segunda fase teve a implementação em 1937, no governo de Getúlio Vargas.
No primeiro momento em que houve uma sedimentação de política cultural, Márcio Souza explica de que forma germinou no País os conceitos e as visões dos artistas vindos da Europa. Ele constata, o imenso salto qualitativo no país, em grande parte graças à continuidade da atitude do Estado em relação à cultura e ao constante interesse dos monarcas. ‘‘De que forma o Estado brasileiro exercia essa sua política? No caso da Cultura, centrando-a no artista’’, destaca. ‘‘A primeira fase inclui a cultura como parte de conjunto de atividades socioeconômicas’’, afirma o autor, à Folha2.
Na segunda fase, Vargas estimula seus intelectuais a sistematizar um programa político com forte tintura nacionalista, centralizadora e com a ambição de criar um Brasil novo, reformado, racialmente mais branco, culturalmente ibérico. ‘‘Nessa fase, o artista sai do centro e passa a ser parte do patrimônio histórico. Mas não se pode promover a evolução social do país, retirando o artista do centro de criação’’, alega. Hoje, de acordo com o autor, vigora outra alternativa, há uma ruptura desse modelo getulista.
Em ‘‘Fascínio e Repulsa’’ Márcio Souza também questiona a visão alarmista que ronda os preocupados com o resgate da cultura nacional. ‘‘O embate é mais complexo e amplo do que achar que nossa cultura é frágil demais e que pode ser esfacelada por outra cultura de fora’’, argumenta.
Sobre a contradição de que o Brasil possui um mercado editorial de destaque, em relação aos outros países da América Latina, mas um índice de leitura vergonhoso: menos de um livro por habitante/ano, o autor justifica: ‘‘o sistema nacional de bilbiotecas precisa se atualizar. A dificuldade do acesso, pequenas tiragens que encarecem o livro. É absurdo um livro custar 45% do salário mínimo, como acontece no Brasil’’, diz.
O amazonense Márcio Souza é romancista, dramaturgo e cineasta. Em sua dramaturgia destacam-se as peças ‘‘A paixão de Ajuricaba’’ e ‘‘As Folhas do Latex’’. Seu primeiro grande romance, ‘‘Galvez: Imperador do Acre’’, foi sucesso editorial, traduzido para 10 idiomas. Em sua extensa bibliografia, constam ainda ‘‘Mad Maria’’, ‘‘O Fim do Terceiro Milênio’’, ‘‘A Condolência’’. Seu último romance, ‘‘Lealdade’’ já vendeu 25 mil cópias.

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