A exemplo do que acontece com o teatro, a música e a dança, Londrina também se tornou um campo fértil na literatura. A cidade que conta com pequenas editoras e escritores já consagrados - incluindo autores premiados com o Prêmio Jabuti - tem revelado novos talentos que mantêm o calendário de lançamentos efervescente praticamente o ano todo. Somente nesta última semana, três novos títulos foram lançados: “Calejadas memórias”, de Mário Fragoso, “Porque eu odeio”, de Claude McKay com tradução de Felipe Melhado e Gabriel Daher; e “Sonia Secco – De volta à vida”, de Fábio Luporini.

Pesquisando na internet sobre escritores do Caribe, Felipe Melhado - jornalista e editor da Grafatório Edições - se deparou com textos escritos pelo poeta jamaicano Claude McKay (1889-1948). O impacto sentido com a contemporaneidade dos versos escritos no começo do século XX motivou o londrinense a produzir as primeiras traduções para o português da obra do fundador do movimento Renascença do Harlem, corrente artística que recuperava o orgulho social e cultural do bairro nova-iorquino, criando laços afetivos e de pertencimento entre seus habitantes.

Poemas do jamaicano Claude McKay, considerado uma espécie de rapper antes do surgimento do rap, foram traduzidos pela primeira vez para o português
Poemas do jamaicano Claude McKay, considerado uma espécie de rapper antes do surgimento do rap, foram traduzidos pela primeira vez para o português | Foto: Reprodução

“O que mais me impactou foi a forma como o Claude fala do ódio, que é um tema bastante abordado na atualidade. Porém, ele usa a cólera como um elemento necessário para mudar de vida e combater a indiferença sofrida pelas minorias”, destaca Melhado. No texto de divulgação do livro, o londrinense afirma que McKay pode ser um considerado uma espécie de rapper antes do surgimento do rap. Os poemas do jamaicano tratam da vida noturna e diurna nas quebradas do Harlem, e de seus afetos e desafetos pessoais nesse contexto – sem deixar de expressar, como fazem os rappers contemporâneos, os anseios de todo um estrato social.

“O maior desafio que encontrei na tradução dos poemas do McKay foi manter o ritmo de seus versos, que não têm uma métrica definida, e transpor para o português as rimas com o mesmo sentido e sonoridade. Para isso convidei o Gabriel Daher, que tinha acabado de retornar de Londres, para me ajudar na tradução”, relata Melhado.

Pablo Blanco, Maicon Neri, Gabriel Daher e Felipe Melhado: equipe da editora Grafatório é reconhecida por seu trabalho primoroso
Pablo Blanco, Maicon Neri, Gabriel Daher e Felipe Melhado: equipe da editora Grafatório é reconhecida por seu trabalho primoroso | Foto: Gustavo Carneiro

O livro “Porque eu odeio” conta com um projeto gráfico marcante, assinado pelos designers Maikon Nery e Pablo Blanco. A obra foi impressa em tintas prata e cobre sobre papéis pretos, contando ainda com imagens reproduzidas de monotipias realizadas pela dupla. A tiragem é limitada a 360 exemplares. Além dos poemas de McKay, a edição traz também dois textos complementares escritos pelos tradutores, que contextualizam a vida e a obra do escritor, introduzindo-o ao leitor brasileiro. A obra será lançada neste sábado (7), às 19h30, na Vila Cultural Grafatório, localizada Av. Paul Harris, 1575, onde o livro será vendido por R$ 50.

CALEJADAS MEMÓRIAS

Histórias ouvidas de trabalhadores da construção civil de Londrina durante mais de duas décadas foram reunidas pelo jornalista Mário Fragoso no livro “Calejadas memórias”, lançado recentemente por meio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura). “São perfis de 20 pessoas que ajudaram a construir prédios históricos da cidade, mas que continuam anônimas pois seus nomes não fazem parte da história e nem são lembrados em datas comemorativas”, resume o autor.

Mário Fragoso: memórias de trabalhadores da construção civil de Londrina reunidas em livro
Mário Fragoso: memórias de trabalhadores da construção civil de Londrina reunidas em livro | Foto: Gustavo Carneiro

Fragoso afirma ter escrito o livro sem nenhuma pretensão literária. “Fui apenas um portador de memórias”, enfatiza sobre os relatos reunidos por ele. “Trabalhei no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Londrina por cerca de 20 anos. Durante esse período ouvi muitas histórias. Em comum entre elas está o fato de a grande maioria desses trabalhadores ter vindo do campo para a cidade. Por não terem estudo para atuar em outras áreas, acabaram usando a força física para trabalhar como serventes de pedreiros. Outra característica marcante é que apesar de permanecerem anônimos, eles se sentem vitoriosos por terem contribuído na construção de Londrina e, à sua maneira, terem vencido na vida”, diz o autor.

Formado em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mário Fragoso é repórter, ator, produtor cultural da Vila Cultural Cemitério de Automóveis e Coordenador do Festival Literário de Londrina, desde 2017, além de participar de projetos de incentivo à leitura, objetivo principal da ONG Atrito Arte.

SERVIÇO:

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Lançamento do livro “Porque Eu Odeio”, de Claude McKay

Tradução: Felipe Melhado e Gabriel Daher

Quando – Sábado (7), às 19h30

Onde - Vila Cultural Grafatório (Av. Paul Harris, 1575)

Preço: R$ 50

Entrada franca

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"Calejadas memórias", de Mário Fragoso

Editora Atrito Art

Patrocínio Promic

Preço: R$ 25

Interessados podem adquirir a obra pelo telefone (43 -9 9904-8046)

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